A ajuda paranaense enviada a Brumadinho(MG), após a tragédia com o rompimentos da barragem, foi reforçada nesta semana. No domingo (3), um helicóptero do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA) se deslocou até Minas Gerais, e, nesta segunda-feira (4), o Corpo de Bombeiros envia mais duas equipes, com seis bombeiros do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost), especializado em buscas e socorro tático.

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O grupo deve substituir a primeira equipe que foi a Brumadinho e retorna ao Paraná após uma semana, período em que resgatou dez mortos, vítimas do desastre do Córrego do Feijão. As equipes de terra se deslocam para a missão em duas viaturas Auto Busca e Salvamento (ABS), tipo pick-up, tração 4×4 (ideal para o tipo de terreno que vão enfrentar).

Já a aeronave, que irá auxiliar nas buscas pelas vítimas, foi enviada com quatro profissionais a bordo – tripulação formada por um piloto comandante, o copiloto, um tripulante e um mecânico para cuidar da manutenção do helicóptero. A aeronave terá 100 horas de voo para atuar em campo, de acordo com informação divulgada pelo governo do estado, que mantém contato diário com os bombeiros de Minas Gerais para verificar as necessidades no local. O socorro paranaense vai agora em substituição a outras equipes, já física e emocionalmente desgastadas.

Especialistas da UFPR foram a Brumadinho

As forças de segurança e resgate mobilizadas em Brumadinho, atingido pelo rompimento da barragem de rejeitos de mineração do Vale do Córrego do Feijão no dia 25 de janeiro , contaram com o auxílio de uma equipe originária do Paraná para orientar as buscas em meio ao rastro de lama que varreu a região.

No último dia 28, quatro pesquisadores do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid) estão na região, liderados pelo professor da Geologia da Universidade Federal do Paraná Renato Lima. O centro proporciona apoio científico e técnico em situações de emergência. Em Brumadinho, o grupo tem coletado dados por todo o trajeto percorrido pela onda de rejeitos após o rompimento da barragem para avaliar a dinâmica do desastre.

Em um primeiro momento, a avaliação ajuda a nortear os trabalhos de resgate. Segundo o idealizador e diretor do Cenacid, “os dados são todos compartilhados, assim como as interpretações que fazemos e isso imediatamente já é utilizado, por exemplo, para saber em que sentido seguiu o fluxo da lama para saber para onde podem ter sido arrastadas estruturas, corpos, para orientar as buscas”, detalha Lima.

As indicações de deslocamento são valiosa ajuda levando-se em conta que a lama chegou a arrastar estruturas por quase um quilômetro, caso do refeitório da Vale, que foi encontrado 800 metros distante do ponto onde fora construído.

A missão do Cenacid em Brumadinho contou ainda com o professor do Departamento de Geologia e Recursos Naturais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Jefferson Picanço, a geóloga da Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Paraná, Fabiane Acordes, e a diretora do Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro, Aline Freitas, que acompanha as atividades de campo desde a base de operações montada pelos órgãos federais e da Defesa Civil.

Desde que chegaram à grande BH, os pesquisadores visitaram diversos pontos do córrego Feijão e percorreram toda a área da barragem para a coleta de amostras e indicadores para análise. As informações têm relação com as características do material, a velocidade com que ele desceu da barragem e o fluxo que tomou a partir do rompimento, além da capacidade destrutiva da estrutura em si, que desabou junto com os rejeitos de mineração.

Considerado “desastre maior” por Renato Lima, o caso de Brumadinho demanda resposta maciça que, segundo ele, tem sido dada, com múltiplas entidades empenhadas em fazer a geração de dados para auxiliar os trabalhos.

De acordo com Renato Lima, em paralelo à ajuda imediata nas buscas, as informações recolhidas servirão à avaliação dos efeitos decorrentes do desastre sobre fauna, flora, o abastecimento de água, a economia local, os transportes. Para viabilizar essa estimativa, serão feitas análises sedimentológica, geológica, química em pontos representativos de modo a fundamentar conclusões sobre os impactos.

Em momento posterior, as conclusões podem subsidiar a sugestão de medidas preventivas e o estabelecimento de protocolos a serem adotados de modo a evitar ou ao menos minimizar perdas humanas em tragédias similares que venham a ocorrer. “O desastre não é o fluxo de lama”, diz o pesquisador, “é o que ele causa. Colhemos dados para avaliar como corre o fluxo ao longo de um vale”, detalha Lima, o que “vai permitir à gente aprender com esse desastre, para aplicar o que aprendermos em outras regiões de vale com barragens e aplicar na elaboração de medidas de prevenção”, conclui.

Ajuda do Paraná também na identificação das vítimas

Desde os primeiros dias de força-tarefa, a perita criminal Patrícia Dubas Cancelier, coordenadora da Comissão de Identificação de Vítimas de Desastres em Massa, da Polícia Científica do Paraná, também auxiliou na recuperação e na identificação dos corpos resgatados em Brumadinho. A especialista do Paraná chegou ao município da região metropolitana de Belo Horizonte no último dia 27, enviada a pedido da Polícia Federal para integrar os esforços nacionais de atendimento às famílias.

O trabalho é baseado em protocolos do Manual de Perícias em Situações de Desastres em Massa, elaborado pela Polícia Federal a partir do modelo aplicado pela Interpol. Inicialmente, o procedimento busca a identificação papiloscópica, ou seja, a partir das impressões digitais. Caso o corpo não seja identificado desse modo é feita análise de arcada dentária da vítima e, em último caso, é solicitado um exame de DNA.

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