Já era pra ter falado desse assunto antes. Mas a sequência de fatos envolvendo a pandemia do novo coronavírus foi empurrando o tema para frente. A notícia é ainda do outro domingo (15), trata das primeiras manifestações de Felipe Ximenes sobre a possível parceria da TSI Sports (os “russos”) com o Paraná Clube. Se não leu, é só clicar aqui.

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Acho totalmente natural ele falar disso, afinal é o representante no Brasil da empresa que quer investir no Paraná Clube. Só fiquei incomodado com uma frase dele em sua manifestação nas redes sociais: “Qualquer coisa diferente disso, não acredite. Se quiser saber da verdade, continue me acompanhando”, escreveu Felipe Ximenes.

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Com essa declaração, o executivo de futebol quer deter o monopólio da verdade. Como se apenas ele estivesse sabendo das tratativas entre o Tricolor e a TSI Sports, como se apenas ele soubesse a hora de falar de A ou de B, como se ninguém tivesse o direito de contestar o que ele fala.

Não é o único

Felipe Ximenes não está sozinho. No futebol e na vida, há vários que pretendem não só ter o monopólio da verdade, mas também ditar o que é verdade, mesmo que os fatos digam o contrário. Em um mundo pulverizado com a internet e as redes sociais, é fácil criar uma narrativa e ter seguidores que a aceitem sem o mínimo de dúvida.

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Não se nega, repito, o direito de que cada um se manifeste. Mas hoje o que temos são fragmentos da verdade espalhados por aí, e às vezes é preciso que haja quem combine essas informações para construir uma história com começo, meio e fim. O jornalismo tem essa obrigação, mas isso também pode ser feito por torcedores lúcidos e inseridos no contexto, como se escrevia n’O Pasquim.

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Em vez de querer assumir o controle de tudo, Felipe Ximenes poderia esclarecer realmente em que pé está a negociação entre Paraná Clube e TSI. Em contato com o blog, ele afirmou que há uma cláusula de confidencialidade no contrato, e por isso não é possível explicar determinadas situações. Mas é importante lembrar: por mais que as redes sociais mostrem muita coisa, a verdade continua lá fora.

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