Arte e cultura

Peça do Festival de Curitiba denuncia tráfico sexual: conheça ‘Cabaré Chinelo’

Foto: Annelize Tozetto / divulgação.

Antes de mais nada, o diretor Taciano Soares avisa: apesar do nome, “Cabaré Chinelo” – com duas sessões a partir desta terça-feira (02), no Teatro Zé Maria – não é um musical de entretenimento, envolvendo apenas música, dança e mais algumas diversões, ao estilo das casas francesas que se espalharam pelo mundo.

“O espetáculo é uma denúncia. A palavra ‘cabaré’ lembra festividade, mas a gente usa ela como um Cavalo de Troia. Aproximamos as pessoas com a ideia do cabaré, do burlesco, mas depois falamos das dores daquelas mulheres”, revelou Taciano na manhã desta segunda-feira, 1º, durante entrevista coletiva no Hotel Mabu.

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A denúncia, no caso, é a de um gigantesco esquema de tráfico sexual internacional, ocorrido nas primeiras décadas do século 20, no auge do ciclo da borracha, em Manaus. “Cabaré Chinelo” era como ficou conhecido o hotel-cassino que aliciava essas mulheres, prostituídas compulsoriamente –inclusive, com o financiamento do governo, de acordo com o que mostrou a pesquisa histórica em que a peça se baseia.

“Durante o ciclo da borracha, muitos homens foram pra Manaus, a população masculina aumentou muito”, explica o diretor. “O que sabemos é que as chamadas mulheres de bem estavam sendo estupradas no meio da rua, por homens que precisavam se ‘aliviar’. A saída que encontraram foi esse movimento pavoroso.”

De acordo o grupo Ateliê 23, responsável pela montagem, as cicatrizes permanecem na cidade até hoje. O local onde ficava o Cabaré Chinelo atualmente é conhecido como “praça das putas”. “A borracha foi um marco do desenvolvimento em Manaus, mas a que custo?”, questiona Taciano. “No lugar onde ficava o hotel-cassino, até hoje há prostituição, baixo meretrício. É uma região da cidade muito pobre.”

Ao todo, treze atrizes incorporam no palco mulheres sexualmente escravizadas – e que na época eram tratadas em jornais sensacionalistas pelos cognomes mais chulos e grosseiros possíveis, como o de “Maria Três Buracos”. “O que temos hoje são esses relatos dos jornais, que, claro, eram mediados por homens”, observa. “A peça é uma ficção a partir da realidade. Nossa dramaturgia é também uma invenção. Pelo que era dito, imaginamos o que não era dito nesses jornais.”

“Foi um momento muito importante pra nós como atrizes: conhecer essa história, que a gente não conhecia, e poder levar essa história pras pessoas”, diz a intérprete Vivian Oliveira. “Tem momentos em que a gente precisa usar muito a técnica do ofício de atriz, pra conseguir se distanciar. Se não, fica muito doloroso.”

“São narrativas que a gente acessa com o nosso corpo. Então, claro que é muito pesado fazer esses papeis, mas ao mesmo tempo estamos juntas. E contar as histórias dessas mulheres tem um caráter de reparação”, comenta Andira Angeli. “Pra mim, que sou uma mulher trans, isso tem ainda uma outra camada.”

Daniely Peinado prefere definir a coisa da seguinte forma: “Foram anos de apagamento. Eu me sinto fazendo parte de uma missão”.

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