O abandono das aulas online e a ausência de uma autodisciplina de uma parte dos alunos da rede estadual de ensino preocupam a Secretaria Estadual de Educação (Seed). No fechamento do segundo trimestre, nesta sexta-feira (11), o secretário de educação Renato Feder avaliou que atualmente a educação precisa lidar com estes dois novos fatores para evitar a evasão escolar e a reprovação de alunos. Em entrevista ao Bom Dia Paraná, da RPC, Feder falou ainda sobre como irá definir o retorno às aulas presenciais na rede estadual paranaense, suspensas desde o início da pandemia de coronavírus.

“Notamos que com o tempo tivemos dois fatores novos. Após seis meses de aulas online percebemos que muitos pais já retomaram suas rotinas fora de casa com a volta de algumas atividades. Com isso, a disciplina e o acompanhamento dos alunos fica mais complicada. Estamos muito preocupados com dezenas e milhares de alunos que estão se cansando e autodisciplina torna-se muito difícil, alertou o secretário. Para ele, pais e responsáveis devem redobrar atenção nesta etapa, pois eles têm um papel muito importante.

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Uma forma de acompanhar o rendimento dos alunos são os relatórios enviados por e-mail e presentes também no aplicativo de aulas online. “Os dados mostram aos pais, escolas e até mesmo ao Conselho Tutelar se os alunos estão ou não fazendo as atividades. Os pais têm que fazer sua parte que é garantir que os alunos estudem”, afirmou. Segundo Feder, se os jovens não seguirem as aulas, bem como as atividades, infelizmente irão reprovar.

Lembrando que os pais podem ser responsabilizados caso ocorra uma situação de negligência ou não acompanhamento das atividades escolares em casa. “Existe uma legislação no Estatuto da Criança e do Adolescente que diz que os pais são responsáveis, junto com a gente, pela educação dos jovens”, ressaltou.

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Retorno das aulas no Paraná

A dúvida é grande quando o assunto é uma data para retorno das aulas no Paraná, data esta que chegou a ser definida, em julho, para o mês de setembro. Porém, segundo o secretário, isso ocorrerá apenas quando os especialistas em saúde, como médicos e infectologistas derem o aval para isso.

“Nós entendemos de educação e temos que escutar profissionais da saúde para nos dizer a hora certa de voltar. É um trabalho de prevenção do contágio e prevenção do vírus. Quando a saúde entender e determinar que podemos voltar, haverá um protocolo”, disse. Esse protocolo prevê revezamento dos alunos, horários alternativos de entrada, uso de máscaras, álcool em gel, termômetros, aventais, entre outras medidas. Segundo Feder, estão previstas compras de 15 mil termômetros, 5 milhões de máscaras, 20 mil aventais, além de milhões de litros de álcool gel. Veja as definições acertadas por um comitê de volta às aulas.

Foto: Arquivo/Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

Sociedade dividida sobre o retorno

Uma pesquisa realizada pela Seed com pais e responsáveis apontou que os paranaenses estão divididos sobre o retorno ou não das aulas presenciais. Para o secretário, muitos pais não querem o retorno ainda e têm receio de que seus filhos se contaminem nas escolas e, por isso, não enviariam. “Mas temos também um número grande de pais que querem o retorno por verem shoppings abertos e muitas atividades sendo retomadas. A pesquisa deu bem dividida”, explicou. O resultado desta pesquisa lembra a declaração de Márcia Huçulak, secretária de saúde de Curitiba, de que a pandemia é como um “Atletiba”, com torcidas diferentes para os dois lados.