Como ocorre em todas as campanhas eleitorais, o tema Educação sempre sobe para a ponta da tabela das discussões entre os candidatos por causa do tamanho dos desafios na área, principalmente para a próxima gestão. Nestas eleições de 2020 não é diferente. Os candidatos a ocupar o cargo de prefeito de Curitiba já falam em construção de planos de carreiras para professores e discursam sobre a busca pela qualidade do ensino. Mas, neste ano, por causa da pandemia do coronavírus (covid-19), além dos debates corriqueiros ainda há uma preocupação como retorno do calendário escolar do ano que vem.

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Para trazer ao eleitor de Curitiba o que pensa cada candidato sobre esse assunto, a Tribuna fez a seguinte pergunta: Crianças retornam ou não diante das incertezas da pandemia? Como o candidato pensa em fazer o retorno às aulas em 2021 na educação municipal?

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Rafael Greca (DEM) – Só volta se a segurança de todos estiver garantida

O candidato à reeleição Rafael Greca afirmou não ter descuidado da população durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. “Não seria jamais o caso de descuidar com estudantes, professores e demais funcionários da rede municipal de ensino. Aliás, a questão da educação dentro da pandemia está em debate no mundo e fica claro como o tema é delicado e merece total cuidado. Prudência é palavra de ordem”, disse o candidato à reeleição.

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Segundo Greca, quando chegar o momento do retorno das aulas presenciais, todos cuidados que já estão sendo tomados serão redobrados. “A prioridade é voltar quando for possível e garantir a segurança de todos. Também cabe destacar que Curitiba depende das decisões e regramento que forem tomados pelo Governo do Estado nesta área”, afirmou o candidato à reeleição.

Greca destacou ainda a criação de um Comitê Multidisciplinar que está analisando as possibilidades, fazendo projeções e estudando as melhores alternativas. “Somam-se aos profissionais da educação, técnicos da saúde, da área de transporte coletivo para acompanhar as questões relacionadas ao possível retorno das aulas presenciais. Afinal, a retomada das atividades presenciais de 146 mil estudantes e mais 17 mil servidores não é uma tarefa simples e tem um impacto enorme não só nas escolas, mas na cidade inteira”, afirmou.

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Por fim, o candidato destacou que nesses meses de pandemia foram 1,2 mil aulas gravadas, com 19,2 milhões de visualizações pelo Youtube. “Para o próximo ano, serão implantadas as Unidades de Transição Curricular, que é uma forma de não deixar escapar nada do currículo escolar deste ano nem deixar de dar os conteúdos previstos”, prometeu.

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Camila Lanes (PC do B) – Só com vacina!

Camila Lanes (PC do B) disse que o retorno às aulas em meio à pandemia é uma irresponsabilidade. “Não há equipamento de proteção suficiente pra evitar a disseminação do vírus não dentro e fora das salas de aula. Não falamos somente do professor e aluno, mas da equipe pedagógica, auxiliar administrativo, auxiliar de limpeza, merendeira, segurança. Volta às aulas só com vacina, testagem massa e rastreamento do vírus”, disse.

Para ela, ao mesmo tempo em que é preciso preservar vidas, a prefeitura precisa dispor de ferramentas ajudarão pais e mães que precisam que seus filhos sejam atendidos pela rede pública de ensino.

“Temos que garantir que nenhuma pessoa seja prejudicada, seja estudante, pai ou professor. O ano que vem é um ano de grande desafio, afinal nós precisamos nivelar e equilibrar no aprendizado das nossas crianças, para isso é necessário passar para um outro plano tão importante quanto o retorno das aulas que é o acesso à internet e tecnologias. As aulas remotas já são uma realidade em Curitiba, mas sabemos que não são todos os estudantes que têm condições financeiras e tecnológicas de conseguir acompanhar as aulas. Por isso, precisamos ter um plano de retomada e um pacto de universalização do acesso à internet no município, garantindo que nossos jovens tenham seu ciclo de aprendizado garantido mesmo em uma pandemia”, disse.

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Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo / Arquivo

Carol Arns (Podemos) – Planejamento responsável

“É um grande desafio”, disse Carol Arns (Podemos). Para ela, o retorno seguirá um protocolo rigoroso, já que a vacina só estará disponível no segundo trimestre de 2021. “As famílias e os profissionais da educação devem estar e se sentir protegidos. O espaço de algumas unidades não favorece o distanciamento necessário, além dos problemas de infraestrutura”, disse. Por estes motivos, disse a candidata, “a gestão da prefeitura deve estar toda envolvida no processo, não só a Secretaria de Educação. Será o momento de avaliar as possibilidades e dificuldades e planejar, de forma responsável e eficiente, os projetos político-pedagógicos dos CMEIs e escolas, de acordo com as necessidades de cada equipamento e seu entorno”, disse.

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Christiane Yared (PL) – Conversa e acolhimento

“Precisamos criar um projeto político pedagógico que compreenda e solucione questões de possíveis reposições no contraturno, com conteúdos que podem ter se perdido na pandemia”, disse Christiane Yared (PL). “É preciso checar as estruturas das escolas, bem com adaptação de espaços, questões alimentar e evasão escolar. “Temos que nos aproximar das famílias, conversar e acolher”, completou.

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“A evasão escolar, que cresceu muito neste período, também está entre nossas preocupações. Precisaremos nos aproximar dessas famílias, conversar e acolher. Tudo isso deverá ser analisado, para que esse retorno seja seguro para nossos educadores, professores, funcionários de escolas, para as crianças e seus pais”, afirmou Yared.

Dr. João Guilherme (Novo) – Convênios com particulares

Para João Guilherme (Novo), a crise levou muitas famílias a perderem renda e, com isso, dificuldade nas mensalidades escolares. “Essa realidade afeta não somente a prefeitura, mas também a rede privada. Vamos implementar um programa emergencial de educação, por um período de um ano, no qual viabilizaremos bolsas de estudo na rede privada. Assim, socorremos a iniciativa privada e atendemos essas famílias, sem que o aluno necessite mudar de escola”, disse.

Segundo o candidato, ele ainda pretende fortalecer os convênios com as escolas privadas de Educação Infantil, ampliando atendimento a crianças de 0 a 6 anos. “Para esses dois programas de convênio, nossa gestão terá critérios rígidos de qualidade. Sobre a volta das aulas, acreditamos que o próximo ano, com a vacina, teremos condições de retornar as atividades presenciais com segurança e os cuidados de higiene e saúde para combate a qualquer pandemia. Além de priorizarmos um diálogo com a comunidade escolar para planejar um período de transição do aprendizado para que nenhum estudante perca conteúdo em função do período remoto”, prometeu.

Eloy Casagrande (Rede) – Modernização da educação

O candidato Eloy Casagrande (Rede) disse que fará um estudo de retorno das aulas que não fique preso ao modelo de ensino remoto improvisado. “Uma educação à distância eficiente, com salas de aulas com condições aos alunos e professores poderem receber esse tipo de educação”, disse. É importante um treinamento e equipamentos melhores, além de subsídio ao estudante que não pode ter acesso à internet”, completou. “Veremos a viabilidade de ter uma aula presencial com controles necessários como escolas menores, com salas de aula com menos alunos e mais arejadas, além de salas de professores, cantinas e refeitórios replanejados. Será um mix entre aulas à distância e presenciais, podendo inclusive levar esses alunos para aulas ao ar livre. A pandemia nos colocou esse desafio, a escola já passa por uma crise há muito tempo, as crianças já vêm com toda a bagagem tecnológico e os professores ‘conteudistas'” afirmou. Outra solução apresentada pelo candidato à Tribuna é a construção de Centros de Educação Ambiental nos parques de Curitiba, proporcionando aos alunos um aprendizado maior. “São propostas novas de educação de encontro com a discussão antes da pandemia. É uma reprogramação de educação de acordo com que a gente vai ter que enfrentar a 2021”, disse o candidato.

Fernando Francischini (PSL) – Segurança para todos

Candidato pelo PSL, Fernando Francischini afirmou que precisa saber qual será o cenário da pandemia em 2021. “Os casos de contágio de covid-19 estão em queda em todo o país, mas é preciso estar muito vigilante para evitar uma segunda onda da pandemia, como está acontecendo em alguns países da Europa. Precisamos oferecer segurança total para os nossos alunos da Rede de Ensino Municipal. Tanto no atendimento dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI’s) quanto nas salas de aula”, disse. Segundo o candidato, é preciso adotar todos os protocolos de saúde para garantir a retomada das aulas e a recuperação do ano de 2020. “E todo o apoio aos professores. A vacina vem aí e tudo volta ao normal! Vamos dar exemplo ao país”, afirmou.

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Goura (PDT) – ó com vacina comprovada e aprovada

O candidato Goura (PDT) disse à Tribuna que o retorno às aulas deve acontecer com a presença massiva da vacinação, comprovada e autorizada pela Anvisa. “Com amplo diálogo com a comunidade escolar, com as professoras e professores, com os inspetores e com os familiares das nossas crianças e jovens que estão na rede municipal de educação. Vamos pensar e definir esses protocolos em conjunto com os especialistas de saúde e educação para que essa volta às aulas aconteça de forma segura, de forma controlada e que não coloque em risco nenhuma as crianças e os profissionais de educação”, disse.

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Segundo o candidato é importante fortalecer a presença da internet de alta qualidade nas escolas. “Além disso estudar casos individuais, principalmente das crianças de famílias de maior vulnerabilidade, que não têm acesso a internet de alta qualidade, para que possam acompanhar as aulas a distância e não sejam prejudicadas por esse grave momento que a gente vive”, prometeu.

João Arruda (MDB) – Plano de carreira e déficit de vagas

Para João Arruda, o grande desafio no setor será a retomada das aulas no pós-pandemia. “Vamos discutir com a categoria dos professores municipais o EaD e o Plano de Carreira, além de zerar o déficit de nove mil vagas nos Cmeis. Tenho quatro filhos em casa, sei da dificuldade que é o ensino à distância”, disse.  “Vamos trabalhar junto com os professores que foram maltratados nesses últimos anos”, completou o candidato, que tem como vice a professora da rede pública, Sheila Toledo.

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“Nós entendemos que a melhor educação tem que nascer a partir dos interesses dos professores, construir políticas públicas juntos, e só vamos reabrir as escolas no momento certo. E vou descongelar o plano de carreira dos professores, governar é priorizar, e para mim a prioridade é cuidar dos nosso professores”, afirmou João Arruda.

Além da retomada das aulas, os candidatos defenderem aumentar o orçamento mínimo para educação para 30% (atualmente é 26%), a implementação imediata do Plano de Carreira, reajuste anual, hora-atividade, e pagamento das gratificações acumuladas, além da realização de um concurso público para preencher todas as vagas que não foram preenchidas pela última gestão. “Os professores merecem respeito e valorização, uma cidade que investe na educação é uma cidade pensa o seu futuro. Chega de governantes que recebem os professores com pancadaria, bombas e balas de borracha, cenas que lamentavelmente se repetem em Curitiba”, disse.

Foto: José Fernando Ogura/AEN

Letícia Lanz (PSOL)

A candidata não apresentou as propostas até o prazo estipulado pela redação da Tribuna com todos os candidatos.

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Marisa Lobo (Avante) – Protocolos da vida e vacina pra quem quiser

A candidata Marisa Lobo disse que em sua gestão escolas vão funcionar. “Nossos alunos vão frequentar as salas de aulas com segurança. Vamos combater a pandemia com antecedência, com tratamento precoce, com uso dos protocolos da vida e não os da morte, empregados pelo atual prefeito”, disse. Se houver vacinas, aprovadas pela Anvisa, a candidata promete dar à população mas sem a obrigatoriedade. “Vai tomar quem quiser”, disse.

Paulo Opszuka (PT) – Só volta com proteção

Para Paulo Opuszka, do PT, a retomada das aulas presenciais terá que ser amparada pelos órgãos de saúde, seguida de protocolos sanitários. “Obviamente não somos contra a volta às aulas, mas ela precisa garantir a proteção de alunos, professores e demais servidores da educação”, disse.

Professor Mocellin (PV) – Retorno “sem achismos”

O candidato Professor Mocellin diz que o retorno será gradual, com um número reduzido de alunos. “Funcionários e professores, do grupo de risco e com comorbidades não voltam enquanto não houver vacina. Temperaturas serão verificadas todos os dias”, disse.

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Para que se respeite o distanciamento, explicou o candidato, vão faltar salas e a prefeitura deve requisitar espaços públicos para as aulas. Há uma necessidade de entender também como a Covid 19 tem se espalhado em diferentes bairros. A região do Pinheirinho é onde há maior incidência de pessoas contaminadas. Realidade diferente de outras localidades. “O assunto é complexo. Recentemente houve uma audiência pública sobre o tema na Câmara Municipal e a manifestação também do Ministério Público do Paraná que considera o retorno às atividades nas escolas como precipitado e de elevado risco, apontando a necessidade de se aperfeiçoar o protocolo de retomada”, disse.

O candidato disse ainda que acredita que qualquer decisão deve ter a chancela de um conselho de especialistas, “com análise das experiências das cidades europeias cujas aulas já retornaram. Infelizmente o ‘achismo’ pode gerar consequências trágicas”, completou.

Professora Samara (PSTU) – Com vacina e com água nas torneiras

Professora Samara afirmou que as aulas só voltam com vacina. “Acreditamos na ciência, a única forma de combate ao covid-19 é o distanciamento social, não podemos negar o risco desse vírus, nem fechar os olhos para os mais de mil e quatrocentos mortos em Curitiba”, disse a candidata, que destacou ainda a importância de ter água nas torneiras para higienização. Em diversas pesquisas realizadas na cidade, disse a candidata, os pais já se posicionaram contra a volta as aulas presenciais. “Além do mais é um absurdo pensar em volta as aulas sendo que não tem nem água na torneira para lavar as mãos”, afirmou.

Zé Boni (PTC) – Mais salas, álcool gel e máscaras

Zé Boni, canidao pelo PTC, pretende aumentar o número de salas de aula. “Temos um plano de ação, equipe preparada e sabemos como viabilizar o incremento no número de salas de aulas em um curto espaço de tempo.  Isso garantirá o distanciamento seguro dos nossos alunos da rede municipal”, disse o candidato, que destacou o uso de álcool em gel e máscaras. “Há como retornar às aulas e eu, Zé Boni e toda minha equipe de técnicos já sabemos como fazer, e faremos. Alunos e pais querem o retorno às aulas, com segurança e garantidas as questões de saúde, e isso faremos”, prometeu o candidato.