Após uma campanha eleitoral atípica, ao estilo “novo normal” por causa da pandemia de coronavírus, chegou o dia de votar. Neste domingo (15), das 7h às 17h, cerca de 1,3 milhão eleitores aptos a votar em Curitiba escolhem quem será o novo prefeito e os vereadores da capital nos quatro anos que virão. Caso haja segundo turno, mais um dia de votação ocorrerá em 29 de novembro.

Enquanto se aguarda a decisão de quais serão os eleitos deste domingo, o que dá para adiantar é que os desafios para a próxima gestão na capital passam, principalmente, pelas áreas de infraestrutura, saúde, segurança e retomada da economia. Os próprios candidatos a prefeito direcionaram seus discursos para esses temas na televisão, redes sociais e entrevistas, desde 27 de setembro, quando a campanha começou oficialmente. Mas o que o eleitor pode esperar daqui para frente?

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Primeiro vem a preocupação com a segurança sanitária nos 443 locais de votação de Curitiba. Para cumprir medidas de distanciamento por conta do coronavírus e melhorar a acessibilidade para eleitores, mais de 150 locais de votação foram alterados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE/PR) em todo o estado neste ano. Em Curitiba, 14 locais foram alterados, em todas as 10 zonas eleitorais, entre eles o que ficava no Colégio Estadual do Paraná. Para conferir o local atualizado, o eleitor pode baixar o aplicativo para celular e-título – que disponibiliza também a versão eletrônica do título de eleitor e o mapa até o local de votação. Além disso, o uso de máscara é obrigatório, além de documento de identificação com foto, distanciamento social e horários preferenciais, das 7h às 10h, para eleitores a partir de 60 anos. Saiba tudo o que o eleitor precisa saber pra eleição deste domingo.

Outro ponto que mexe com a votação é a possibilidade de um número significativo de abstenções. Dos 1.349.888 eleitores de Curitiba, segundo levantamento da Tribuna 8,51% dessas pessoas aptas para votar têm o voto facultativo. São os idosos com 70 anos de idade ou mais, que estão no grupo de risco, jovens maiores de 16 anos e menores que 18 anos e os eleitores com deficiência que possuem dificuldade declarada para o voto. Com a pandemia, é possível que esses eleitores não compareçam às urnas. 

Para o professor doutor Emerson Cervi, do departamento de Ciência Política da UFPR, são os candidatos a vereador os que podem ser mais impactados. De acordo com ele, o cargo de vereador pode ser decidido até por um ou poucos votos. Em Curitiba, os candidatos a esse cargo com a base eleitoral na região norte da cidade podem ser ainda mais impactados, caso uma ausência de eleitores com voto facultativo se confirme por causa da pandemia. “É a região da cidade onde se concentra o maior número de eleitores idosos, do grupo de risco”, diz Cervi. O diretor do Instituto Opinião, Nilton Tristão, projeta que as eleições de 2020 terão a maior taxa de abstenção já registrada desde a redemocratização em pleitos municipais.

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Curitiba conta com 16 candidatos a prefeito. O número alto tem relação com o fim da coligação das eleições proporcionais para vereador, já que os partidos se depararam com a necessidade de aumentar a visibilidade de seus candidatos ao cargo na Câmara Municipal. Mas mesmo com vários nomes concorrendo à prefeitura, os assuntos discutidos nas propostas para prefeito não fugiram do escopo da administração municipal. 

Na série de entrevistas da Tribuna com os candidatos, falou-se em mobilidade urbana e mudanças na gestão do transporte coletivo, segurança, obras públicas e dificuldade de cumprir prazos como no caso da Linha Verde, saúde e as estratégias para vencer a pandemia de coronavírus e avançar na qualidade do atendimento, também gestão do lixo, falta d’água, funcionalismo público, moradia e os desafios da retomada econômica de Curitiba com tudo o que ocorreu em 2020, na crise da covid-19.

Desafios dos próximos anos

Basicamente, o candidatos a prefeito não fugiram das exigências da população curitibana. E esses devem ser os principais desafios para a próxima gestão. Em consulta pública realizada pela Câmara Municipal ao longo do mês de outubro, as obras lideram como principal demanda para o orçamento de 2021, e foram consideradas prioritárias por 455 (28%) dos 1.635 participantes. Na sequência vieram segurança, com 375 (23%) indicações, e saúde, com 196 (12%). As respostas devem basear a elaboração de emendas por parte dos vereadores ao projeto da Lei Orçamentária Anual de 2021 (LOA 2021), que prevê um total de R$ 9,063 bilhões de receitas e despesas para o município no próximo exercício.

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O atual prefeito e candidato à reeleição Rafael Greca (DEM) liderou três pesquisas eleitorais realizadas pelo Ibope/RPC. Na primeira, divulgada no dia 6 de outubro, Greca apareceu com 47% das intenções de voto, seguido pelo deputado estadual Fernando Francischini (PSL), com 6%, e o também deputado Goura (PDT), que somou 5% das intenções de voto. Na segunda pesquisa, divulgada em 22 de outubro, Greca tinha 46% das intenções de voto, seguido de novo por Francischini (8%) e Goura (8%). A terceira pesquisa Ibope/RPC, divulgada na noite deste sábado (14), mostrou Greca também na liderança, mas com Goura em segundo lugar.

Os números transformaram Greca no principal adversário a ser batido pelos outros candidatos, que passaram a discursar pedindo aos eleitores um segundo turno. Nos dias 1.º de outubro e 14 de outubro, a Band TV realizou debates eleitorais que foram divididos em dois dias por causa do número de candidatos. Rafael Greca não compareceu em nenhum deles alegando preocupação com o coronavírus – Greca testou positivo para a doença e foi internado com sintomas leve dias antes dos debates. 

A ausência do atual prefeito provocou reações. Oito dos 16 candidatos organizaram três debates em praça pública para provocar Greca. O primeiro nas proximidades da residência dele, na Praça da Espanha, o segundo ao lado da prefeitura, no Centro Cívico, e o terceiro na Praça Santos Andrade. Greca foi convidado a participar, mas também não compareceu. Esses debates públicos, segundo os candidatos, também teve o objetivo de ganhar espaço na mídia, já que o tempo de TV para campanha deles foi significativamente mais curto que o de  Greca.

Outra reação mais contundente e direta veio de Francischini. O candidato atacou Greca no horário eleitoral gratuito afirmando que o prefeito favoreceu a própria família na desapropriação de terrenos. De imediato, Rafael Greca se defendeu e teve direito de resposta determinado pela Justiça Eleitoral nos programas de Francischini.

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As eleições 2020 contarão com um aumento de 10 mil policiais militares em todo o Paraná, segundo esquema de segurança elaborado entre a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) e o TRE-PR. Além disso, haverá lei seca, válida entre às 5h da manhã até 17h de domingo, dia do pleito. Quem não estiver de máscara será abordado pela Polícia Militar e orientado a utilizar o equipamento de proteção contra a disseminação do vírus.

Os 433 locais de votação de Curitiba começaram a ser organizados na manhã de sábado (14). De acordo com o TRE, as urnas eletrônicas foram transportadas por volta de 7h do pátio do estacionamento do Fórum Eleitoral para todas as seções. O transporte foi feito pela empresa IBL Logística, que venceu processo licitatório.