Candidatos à prefeitura de Curitiba realizaram, na tarde desta terça-feira (20), um protesto em forma de debate informal nas proximidades da casa do atual prefeito Rafael Greca, candidato à reeleição. A principal reclamação dos participantes é que Greca não esteve no primeiro debate, realizado no começo do mês. Eles acusaram Greca, inclusive, de fugir dos debates.

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O debate informal contou com a presença de oito candidatos. São eles João Arruda (MDB), Camila Lanes (PCdoB), Fernando Francischini (PSL), Letícia Lanz (Psol), Paulo Opuszka (PT), Professor Mocellin (PV), Professora Samara (PSTU) e Eloy Casagrande (Rede).

Em formato de Ato Público, o encontro ocorreu na Praça da Espanha teve regras estabelecidas pela organização. A ordem do uso da palavra foi definida por sorteio. Cada um teve o direito de usar o microfone por cinco minutos. Todos os participantes tiveram que responder a seguinte pergunta: Qual a importância do debate para as eleições em Curitiba?

O público na praça era formado, principalmente, por correligionários dos candidatos. Embora o uso da máscara estivesse sendo praticado, as pessoas ficaram próximas umas das outras para ouvir os discursos. Havia torcida para um e para outro, mas, de forma geral, o público respeitou o espaço de fala ficando em silêncio. A expectativa de quem esteve por ali, em bate-papos informais com a reportagem, era poder ver as ideias dos seus candidatos mais expostas para a população, já que o tempo de mídia nos grandes veículos de comunicação é diferente para cada partido ou coligação.

Com o microfone aberto, por volta das 14h10, praticamente todos os oito candidatos presentes pediram a participação de Rafael Graca em debates. Eles também argumentaram que grandes meios de comunicação deveriam promover mais debates, para que todos os 15 candidatos a prefeito de Curitiba tenham a oportunidade de transmitir suas ideias com um tempo de mídia mais igualitário.

Outros pontos destacados por eles tiveram relação com a administração da capital. Os oito participantes do ato citaram que Curitiba precisa de mais atenção em áreas básicas como a saúde, educação, transporte público e geração de empregos. Embora os temas tenham surgido, ninguém usou o tempo do debate para apresentar detalhes dos projetos de cada um.

Discursos

A primeira a falar foi a candidata Professora Samara. Ela destacou a importância de uma nova administração em Curitiba, voltada para os trabalhadores. Também defendeu o amplo debate, com mais espaço para todos os candidatos. “Esta é uma forma de tentar furar o bloqueio da mídia, que infelizmente, não está dando espaço para todas as candidaturas”, disse a candidata em entrevista para a Tribuna.

Fernando Francischini foi o segundo a falar. O candidato criticou o prefeito e candidato à reeleição Rafael Greca pela falta de oportunidade debater ideias. “Ele é o representante da velha política tomando conta da prefeitura de Curitiba”.

Letícia Lanz, terceira a falar, disse estar com muita raiva por ser obrigada a participar desse ato para lembrar Rafael Greca da importância de um debate. “Estou cansada de ver políticos que só querem ocupar o cargo e ferrar o povo”, disse. A candidata também pediu que os grandes meios de comunicação promovam debates.

O quarto a falar foi Eloy Casagrande. Ele aproveitou o espaço na praça para defender soluções administrativas mais sustentáveis para Curitiba e também pediu mais debates. “O prefeito tem que comparecer para poder dar explicações da sua gestão. Não é possível termos que fazer um debate em praça pública para pedir isso”.

Camila Lanes foi a quinta candidata a ocupar o microfone. No discurso, ela fez perguntas diretas para Greca, principalmente sobre transporte público, educação e plano de carreira dos servidores públicos. ‘É lamentável que eu, como cidadã, mulher e estudante, precise vir aqui, na porta da casa do atual gestor, para ouvir um mínimo de respostas”, reclamou.

Depois, o sexto candidato a subir no palco, João Arruda, disse que o movimento na Praça da Espanha, em formato de debate com os candidatos presentes, serve como um momento de harmonia entre eles. Ele cobrou a ausência de Greca, no que chamou de confronto de ideias para o bem da democracia. “Os debates são ferramentas de aprimoramento da democracia. Fico decepcionado em não termos possibilidade de ter o prefeito aqui para fazer um debate de alto nível”, disse.

O sétimo foi o Professor Mocellin. Ele reclamou do pouco tempo dos candidatos nos grandes meios de comunicação. “Para convencer alguém de que suas ideias são boas, você precisa que essa pessoa te ouça. A cada cinco minutos, o prefeito está na televisão. Eu não vejo o Eloy, eu não vejo a Letícia e, sinceramente, eu não vi a Camila. É um massacre, um massacre midiático”.

O último a falar foi Paulo Opuszkas, que também cobrou a ausência de Greca. “Nesse momento, o prefeito está do outro lado da cidade, ouvindo. E nós temos certeza de que eles estão preocupados com um ato como esse. Porque sabem que partidos democráticos unidos fazem transformação”, falou o candidato.

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Candidatos a prefeito de Curitiba organizam debate público na Praça da Espanha

Candidatos a prefeito de Curitiba organizam debate público na Praça da Espanha. Bate-papo será por autofalantes.#TribunaPRNasEleicoes2020

Posted by Tribuna do Paraná on Tuesday, October 20, 2020

Greca diz ser vítima de ataques

Sobre o debate realizado na Praça da Espanha, o atual prefeito e candidato à reeleição pelo DEM, Rafael Greca, emitiu nota na tarde desta terça-feira (20), na qual afirma ser alvo de ataques por parte de seus adversários na disputa pela prefeitura da capital.

“A legitimidade de todo debate pressupõe o conhecimento de causa. Ficou claro que meus adversários não o tem, pois a estratégia dos mesmos é de fazer ataques orquestrados à minha gestão e à minha pessoa. Preferia que eles tivessem apresentado suas propostas para a cidade. Para mim o desaforo é a ausência do argumento”, disse Greca, em nota.

Foto: Alex Silveira/Tribuna do Paraná.