A pandemia do coronavírus na região Sul do país segue ganhando força, o Paraná tem apresentado cada vez mais casos e aumento de mortes. Em Curitiba, a secretária Márcia Huçulak tem repetido diariamente nas lives dos boletins do coronavírus: “fiquem em casa”. Afinal, a capital ainda segue em bandeira laranja, mas já caminhando para vermelha de alerta máximo, apesar da liberação de algumas atividades como academias e restaurantes

Mesmo assim, o que se vê nas ruas é uma negação da pandemia. “As pessoas estão vivendo uma alucinação de uma segurança que não existe”, desabafa David Urbaez, médico infectologista do Laboratório Frischmann. O especialista lida com pacientes graves do coronavírus diariamente numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e se sente impotente diante da situação atual.

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“O que eu fico mais perplexo é que a gente tem que explicar o óbvio. A gente sabe que não pode pôr a mão no fogo porque queima. Ir à academia, show de música, buffet por quilo, são lugares de grande circulação de pessoas, o risco de contrair coronavírus é muito alto”, desabafa o médico.

O infectologista cita ainda o uso das máscaras, embora ainda tenha gente que negue usá-las, que fizeram com que as pessoas perdessem o medo de contrair a doença e desrespeitarem o distanciamento social. “A máscara virou amuleto de proteção de tudo e de todos, de maneira nenhuma a máscara é o que vai acabar com a pandemia. Nos restaurantes, pessoas nas mesas, todas próximas, máscara ausente. Para quem se dedica a pacientes de UTI não imagina o grau de tensão que é, a impotência da compreensão”, lamenta Urbaez. 

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David Urbanez, médico infectologista, lida com pacientes graves do coronavírus diariamente numa UTI e se sente impotente diante da situação atual. Foto: Divulgação.

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Atividades de maior risco

Um estudo feito pela Associação Médica do Texas, nos Estados Unidos, classificou atividades cotidianas de acordo com o risco em contrair a covid-19, mesmo com todos os cuidados sanitários de higienização de mãos e uso de máscara. Entre as atividades de risco alto, estão frequentar academias, comer em um buffet por quilo, ir a um parque de diversões, ir ao cinema ou a um show de música, além de frequentar bares, ir a um culto/missa, ou ir a um estádio. 

Atividades como essas, mesmo respeitando o distanciamento e utilizando máscara, podem aumentar muito o risco de contrair a doença. “Na academia, por exemplo, é cheia de superfícies que podem ser contaminadas. Ao fazer esforço físico na atividade aeróbica, aumenta muito o fluxo de saliva da boca e nariz. Tudo isso leva a um aumento nas concentrações de secreções respiratórias. E para manter o local seguro, é preciso que o local seja limpo de forma rigorosíssima”, salienta o médico.

De acordo com o infectologista, dos vírus circulatórios mais recorrentes no inverno, como o influeza, adenovírus e outros tantos, nenhum deles chega a capacidade de transmissão do coronavírus – mesmo que uma parte dos casos seja de assintomáticos ou subclínicos. “Então é óbvio que esses locais onde há uma grande circulação de pessoas não são próprios para frequentar uma pandemia, que está em ascensão no número de casos”, ressalta.

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Afinal, teremos Natal com pandemia?

Para o presidente da comissão de combate ao coronavírus da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emanuel Maltempi de Souza, o pico da pandemia ainda não chegou ao Paraná. Mas apesar de toda a situação atual, o docente acredita que poderemos ter controle maior da pandemia com uma vacina eficaz em dezembro. “Eu espero que a gente tenha uma vacina para os principais grupos de risco, como os idosos, doentes crônicos e médicos. Assim vai ser bem melhor, vamos torcer”, esclarece.

Atualmente, o Paraná colabora com testes de três diferentes vacinas: a da Universidade de Oxford, na Inglaterra, a do laboratório chinês Sinovac Biotech e a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. “Acho que com uma vacina até dezembro, temos uma boa chance de controlar o contágio da doença nos primeiros meses do ano que vem. Temos essa perspectiva de que as coisas podem voltar ao normal”, prevê o docente.