Faz parte do desenvolvimento infantil que as crianças tenham momentos de convívio entre si, sem a presença dos adultos. Embora seja um cenário difícil de colocar em prática nesses meses de isolamento social devido ao novo coronavírus, algumas medidas podem ser adotadas pelas famílias.

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Nas chamadas por vídeo, por exemplo, mostre à criança que você está atento ao que elas estão fazendo na internet. Mas mostre também que está dando um voto de confiança ao deixá-la conversar com o amigo “sozinha”.

Tome os devidos cuidados para que ela fique segura no ambiente virtual, pois sabemos que facilmente pessoas perigosas podem chegar até elas com perfis falsos e que chamam a atenção. Você não precisa mediar a conversa dela com o amigo, mas permanecer próximo para evitar que ela seja atraída por algo incomum.

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“Priorizar chamadas individuais, na medida que a internet permite. Deixar uma criança com um dispositivo e a outra criança também, para que elas possam se soltar nesse ambiente virtual. Para que não seja só a conversa com o pai e com a mãe, mas que possam perder um tempo e se ambientar entre eles”, explica Bruno Mader, psicólogo do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Ficar em casa todos os dias, todas as horas, com a convivência apenas dos pais também pode ser exaustivo aos filhos. Permita que a criança tenha um tempo sozinha durante o dia, para que não se sinta sob uma “supervisão” constante.

“É muito desgastante para a criança ficar com o pai e a mãe o dia inteiro, ela precisa de um momento em que possa experimentar por si mesma. Algumas coisas o pai e a mãe precisam repreender, mas a criança precisa se expor sozinha”, alerta o psicólogo.

Sinais de alerta aos pais

Alterações no comportamento das crianças indicam se elas estão passando pela quarentena de forma tranquila ou com algum problema. Caso ela esteja mais irritada, desafiadora, não cumprindo com as regras da casa, por exemplo, os pais devem ficar mais atentos.

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“Deixar de ter interesse por coisas que antes tinha, dificuldade de querer encontrar, ou ter notícias dos amigos. Apego demais ao sono, quando não quer levantar, ou dormir demais. Cansaço, abatimento ou tristeza em momentos que não aconteciam”, sugere Mader.

É importante também estar atento aos hábitos alimentares. Não há problema em uma recusa para comer um dia ou outro, mas há quando se torna constante. Ou quando ocorre uma “super demanda”, e a criança passa a comer mais do que antes.

Explique o que está acontecendo

De acordo com Maísa Pannuti, psicóloga, doutora em Educação e supervisora do Serviço de Psicologia Escolar do Colégio Positivo, as crianças são capazes de entender o que está acontecendo e não devem ser mantidas fora do assunto.

“Os pais devem colocar a criança no processo. A criança deve fazer parte de tudo que a família está passando. Se os pais se não deixarem ela ansiosa por alarmismo, mas explicarem as situações e, sobretudo, dar responsabilidades para a criança, ela vai virar parte disso”, comenta a psicóloga.

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Isso passa também porque os pais tendem a não colocar os filhos em situações em que eles possam se frustrar, de dar muita proteção. “Eles aguentam”, garante Pannuti. “Os pais têm que ficar atentos à rotina da criança. Horários de sono, de alimentação, têm que ser bem definidos, isso é uma forma que auxilia a criança durante o isolamento”, explica o psicólogo Bruno Mader. A interação entre pais e filhos é necessária também. Tirar um momento do dia para conversar com a criança, ou ver televisão, filme ou série.

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Importante também dar atividades para as crianças, sejam de diversão, ou responsabilidades que possam ajudar a família. “Acho que a questão da diversão em casa é importante, acho que a família tem que criar espaço de brincadeiras, jogos, atividades domésticas para a criança. Molhar planta, guardar brinquedo, por exemplo, vão gerar responsabilidade”, analisa Pannuti.

Outras atividades que estimulam a criatividade também são recomendadas, desde brinquedos que possam conceder isso, mas como elementos mais tradicionais, como pincéis, tintas, giz de cera, entre outros.