Presos usaram o sistema de
vídeo para enganar os policiais,
em São José dos Pinhais.

Uma fuga em massa da delegacia de São José dos Pinhais foi impedida por policiais de plantão, ontem à tarde. Para acalmar os ânimos dos detentos e impedir uma subseqüente rebelião, policiais do Grupo Tigre (força especial) foram acionados e conseguiram manter a ordem no local. Depois da revista, foram apreendidos pela polícia alguns estiletes e um telefone celular, que estavam em poder dos marginais.

A tentativa de fuga serviu para voltar à tona a discussão sobre a necessidade da construção de uma Casa de Custódia naquele município, como forma de amenizar a questão da superlotação carcerária e também da segurança dos moradores de São José dos Pinhais.

A tecnologia utilizada pela delegacia para monitorar os presos quase se tornou um fator negativo para os policiais de plantão. Espertamente, alguns reclusos conseguiram alcançar as câmeras de vídeo instaladas dentro da carceragem e as desparafusaram das paredes, sem desligá-las. Dessa forma, eles filmavam apenas os espaços da carceragem que não denunciassem aos policiais (que faziam o monitoramento das imagens) o que eles pretendiam realizar.

O combinado entre os presos seria atacar os policiais de plantão, assim que eles fossem recolher os restos do almoço, servido às 15h. Para isso, anteriormente, eles já haviam impedido que os cadeados fossem trancados em um das alas da carceragem, no momento em que o almoço foi entregue.

Truque

O sistema de câmeras indicava aos plantonistas que a situação dentro da carceragem era normal e que eles poderiam entrar para a retirada das sobras do almoço. Entretanto, as imagens estavam sendo manipuladas pelos presos e elas não mostravam que, em uma das alas do xadrez, alguns detentoss estavam próximos da porta à espera dos policiais para atacá-los. Um investigador entrou na carceragem e quase foi dominado por alguns detentos. Ele reagiu, entrou em luta corporal com eles, pedindo ajuda aos outros dois policiais que estavam na delegacia. Os policiais conseguiram se livrar dos agressores e fecharam a porta da carceragem. A ação teve que ser muito rápida para que todos os presos não tivessem acesso à porta da saída. Caso isso acontecesse, 50 detentos conseguiriam fugir da cadeia. Os plantonistas tiveram apenas escoriações e acionaram reforço. O Grupo Tigre chegou e contornou a situação.

O esquema de fuga estava bem planejado entre os presos, pois no horário da tentativa, três carros foram vistos circulando próximo da delegacia, segundo informação dos taxistas, que possuem ponto em frente ao local. Esses carros provavelmente seriam usadas para a fuga e depois, frustrada a ação, não foram mais vistos. Os contatos devem ter sido feitos através do celular apreendido.

Custódia

Em São José dos Pinhais há uma grande discussão em torno da construção de uma Casa de Custódia no município, para abrigar o excesso de presos da delegacia local e de outras da Região Metropolitana de Curitiba. Dois grupos políticos discutem os benefícios ou malefícios que esse tipo de obra traria à cidade. Uma coisa é certa: a superlotação da delegacia de São José dos Pinhais traz perigos de segurança à população – pois o prédio é localizado na região central da cidade – e aos próprios policiais. Ontem, havia 129 detentos na carceragem, que tem capacidade estimada para no máximo 40 presos.