Anderson Tozato
Pais e mães ficam de prontidão no portão do colégio, para evitar roubos.

Não são só as escolas da periferia que não têm segurança. Os alunos do Colégio Estadual Professor Brandão, no Alto da Glória, são vítimas da violência todos os dias. Além de traficantes que rondam a escola, marginais atacam os alunos em busca de tênis, celulares, bonés, dinheiro e qualquer coisa que possa ser trocada por drogas com traficantes. Eles aproveitam a falta de policiamento para agir e espalham o terror entre as crianças e pais. Há uma semana, dois garotos – sendo que um tinha menos de 1,50 m de altura -, praticaram pelo menos três assaltos na saída da colégio.

A arma utilizada era uma faca. O menor chegava por trás da criança ou do adolescente, encostava a faca na barriga e ordenava: ?Quero dinheiro e o que tem no bolso. Senão eu te furo?. Em menos, de 15 minutos atacou três garotos. Um deles de 9 anos, estava com uma luneta no bolso. Aterrorizada, a criança entregou o que tinha. Ao ver que o objeto não tinha valor, o pequeno marginal disse que se tratava de uma brincadeira. Do outro, levou o celular e ameaçou matá-lo caso gritasse. Um outro adolescente teve o tênis, o dinheiro do ônibus e o celular roubados. Todos os roubos ocorreram na esquina do colégio.

Insegurança

Os pais reclamam que não existe nenhum tipo de policiamento nos horários da saída e da entrada das crianças. Nem mesmo uma viatura da Patrulha Escolar, criada para dar segurança nas escolas. ?Eu já telefonei para a Polícia Militar pedindo, mas eles falaram que só atendem se a diretora da escola pedir?, contou a aposentada Dirce, 50 anos, que todos os dias vai buscar a neta que cursa a 3.ª série no colégio. ?Fico de plantão. Não só eu como várias mães. A região aqui está muito perigosa e não tem policiamento nenhum?, acrescenta. ?A minha filha já foi assaltada. Tenho medo de deixá-la sozinha?, acrescenta a dona de casa Sílvia Melo.

A zeladora Benedita, 50 anos, que tem dois filhos no colégio, diz que não se arrisca a deixá-los ir sozinhos para casa, apesar de o mais velho ter 13 anos.

?Na escola particular tem toda segurança. Sempre vejo a Patrulha Escolar em um colégio no centro da cidade. Por que as nossas crianças pobres não podem ter??, indaga a mulher.

Drogas, outro problema

Anderson Tozato
Renato não se descuida da filha.

Além dos assaltantes que rondam a escola, outra preocupação dos pais são as drogas. ?Procuro chegar antes. Minha filha diz que vendem cigarros para menores aqui nas proximidades. Não tem polícia para ver isso?, reclama o funcionário público Renato Chrestenzen. ?O único policiamento que se vê por aqui é de viaturas do Batalhão de Trânsito para multar quem está em fila dupla. Agora, com a segurança, não se preocupam.?

A cabeleireira Elizandra Cristina Sales também vai buscar a filha de 11 anos todos os dias. ?Está região está demais da conta. A noite se ouve tiros. Hoje tiro não é mais coisa da periferia. Além de assaltos aqui na porta, também tem gente vendendo drogas nas proximidades?, denuncia.

Tranqüilidade é coisa do passado, diz moradora

A região do Colégio Professor Brandão já foi tranqüila, mas hoje é um bairro violento. Além dos ataques contra os alunos, os bandidos se concentram próximo da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Alguns deles, para roubarem os fiéis, outros apenas para usar o muro do cemitério para consumir drogas. ?Esse bairro já foi calmo, mas isso há 40 anos?, diz a funcionária pública, Maria de Lurdes Hoeflich, chamada carinhosamente pelos alunos de ?Lurdinha?.

Ela trabalha no colégio e permanece no portão, na entrada e na saída dos alunos. ?Eu procuro cuidar das crianças. Eles me respeitam.?

Há 17 anos trabalhando no colégio, ela já presenciou vários roubos. Em um deles o garoto ficou sem o tênis e o celular. Para ajudá-lo, ?Lurdinha? lhe deu um cartão telefônico, para ligar para casa. ?Perigo sempre tem. A cidade cresceu. A Patrulha Escolar só passa aqui de vez em quando?, comenta.