Peemedebistas e tucanos receberam com desconfiança a nova posição do governador Roberto Requião (PMDB) sobre um suposto apoio do PMDB do Paraná à candidatura a presidente da República do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

“Eu só posso dizer obrigado, mas a resposta a esta afirmação do Requião está com o Lula”, desconversou o presidente do PSDB, deputado Valdir Rossoni. E emendou: “Esse jogo está ficando bom para nós”.

Defensor da candidatura própria do vice-governador Orlando Pessuti ao governo, o deputado Nereu Moura também não vê muitas possibilidades de o PMDB marchar unido ao PSDB do Paraná.

“O Pessuti tem uma simpatia clara pela ministra Dilma. Acho que seria difícil ele apoiar o Serra”, afirmou Moura que subiu ontem à tribuna para defender a candidatura de Pessuti.

No máximo, Moura admite que o partido poderia ficar liberado no Paraná para que cada um pudesse escolher o palanque da candidatura presidencial. “Se o PT de fato vai apoiar o Osmar (pré-candidato do PDT), então, no PMDB poderia ficar livre a escolha pelo candidato a presidente”, comentou.

A articulação de uma ala do partido para levar o PMDB para uma aliança com o prefeito de Curitiba, Beto Richa, pré-indicado pelo PSDB para concorrer ao governo, foi criticada por Moura.

“Se cada um ficar olhando seus interesses, então, não precisa de mais nada. É só fazer um acordo de cúpula e acertamos candidatura única para o governo”, disse o peemedebista, a propósito da justificativa do grupo pró-aliança com os tucanos para o governo do Estado nas eleições de outubro e que veem na composição a tábua de salvação do partido para reeleger seus dezesseis deputados estaduais na Assembleia Legislativa.

Um dos porta-vozes do grupo pró-tucano, o deputado Luiz Claudio Romanelli afirmou que os partidários da aliança não irão à convenção apresentar essa proposta para se contrapor à candidatura de Orlando Pessuti.

“Quem decide se será candidato é o Pessuti. Nós sabemos que esse processo tem uma dinâmica. Primeiro, o partido ouviu o candidato nos encontros regionais. Agora, a militância tem que acreditar e trabalhar para ele”,comentou o deputado pró-tucano.

Romanelli afirmou que está preocupado com as perspectivas eleitorais da bancada. “A eleição de uma bancada passa pela viabilidade de ter um candidato competitivo e forte. As pesquisas de intenção de voto vão indicar a posição do candidato. Mas é bom deixar claro que o Pessuti, se quiser, será candidato. Não vai haver proposta de aliança na convenção”, resumiu o deputado, que também “brincou” no twitter com o governador Roberto Requião.

Depois de ter seu nome sugerido para a vice numa chapa encabeçada por Pessuti, tuitou que as chances de ele ser candidato a vice-governador eram iguais às de Requião ser candidato a presidente da República. “Mas foi uma brincadeira fraternal”, garantiu.