O deputado Douglas Fabrício (PPS) quer que o governo Requião explique por que a bolsa de valores (Bovespa) excluiu a Copel da relação de empresas que apresentam alto grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social.

Depois de três anos de presenças consecutivas, a Copel foi excluída neste ano do grupo de empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, índice que dá credibilidade às ações da empresa que passam a ser recomendadas pela própria Bovespa e segundo estudos, é capaz de elevar o valor de mercado das empresas em até 19%.

As empresas que integram o ISE da Bovespa são sempre divulgadas no final de novembro, já que a carteira passa a valer em 1.º de dezembro e fica em vigência até o dia 30 de novembro do ano seguinte. A Copel fez parte da relação nos últimos três anos. Mas foi excluída da lista divulgada pela Bovespa, que não explicou os motivos.

O ISE é uma carteira de ações formada exclusivamente por papéis de companhias que, na avaliação de analistas da própria bolsa, mostram-se comprometidas com os princípios da sustentabilidade, ou seja, pautam suas atividades pelos preceitos da responsabilidade social, equilíbrio ambiental, ética empresarial e transparência contábil.

O grupo das empresas formadoras do ISE é revisto a cada 12 meses e pode ser modificado com base na avaliação de informações prestadas num questionário. A Copel integra o índice desde a sua criação, no final de 2005.

Para ser incluída no ISE, a companhia precisa ter sido uma das 150 que mais tiveram ações negociadas nos pregões da Bolsa durante o ano, ter sido negociada em pelo menos metade desses pregões e também atender aos critérios de sustentabilidade do questionário que é preenchido anualmente.

“Nesta mesma época no ano passado, o governo divulgava, com orgulho, que fazia parte do índice, justamente porque isso significa a chancela de a Copel ser uma empresa comprometida com os princípios da sustentabilidade, ou seja, empresas que pautam suas atividades pelos preceitos da responsabilidade social, equilíbrio ambiental, ética empresarial e transparência contábil” “, lembrou Douglas. “O que foi que mudou para a Copel ser expressamente retirada do índice? Deixou de ser ética? De ter transparência? Ou de respeitar o meio ambiente? O paranaense tem o direito de saber o que está acontecendo em sua principal empresa”, questionou.

A assessoria de imprensa da Copel informou que a empresa ainda não foi informada sobre os motivos de não constar na carteira de ações neste ano, explicou que a Bovespa deve enviar um relatório às empresas até o próximo dia 5 e que a Copel só se pronunciará após análise deste documento para “não comentar sobre hipóteses”.

A assessoria lembrou que a inclusão das empresas no índice é feita por três critérios e informou que a Copel acredita que, por conta da concorrência para se entrar na carteira fez com que outras empresas alcançassem índices superiores. Em princípio, a Copel não acredita que sua avaliação piorou em relação ao ano passado e diz que irá se esforçar para voltar a compor a carteira em 2009.