Cerca de dez pessoas ? entre elas, farmacêuticos, proprietários de farmácias e médicos ? foram presas pela Polícia Federal na Operação conhecida como Caloria. O nome da operação se refere à venda ilegal de medicamentos para emagrecer fabricados por farmácias de manipulação de Goiás. Além do estado, os medicamentos eram vendidos também para Minas Gerais, Paraná e para países da Europa há cerca de um ano.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que deve ocorrer nos próximos dias uma nova audiência pública para tratar de propostas que atualizem as regras para as farmácias de manipulação e que aumentem o controle da produção e venda dos medicamentos. Dentre as propostas, a determinação de que as matérias-primas recebidas estejam adequadamente identificadas e os rótulos contenham nome do fornecedor, origem com identificação do fabricante, quantidade e outras informações consideradas necessárias.

O presidente da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), Hugo Guedes, relata que a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou o Brasil para o crescimento do consumo de remédios para emagrecimento. Entre as propostas apresentadas pela OMS para resolver o problema estão a difusão de orientações aos médicos e consumidores sobre terapias de emagrecimento e o maior controle sobre as substâncias utilizadas nos inibidores de apetite.

Guedes afirma que a Anvisa já desenvolve um programa para fazer o controle da aquisição e utilização de substâncias para emagrecer. "Se esse programa vier para o mercado haverá um grande controle no Brasil, talvez como nunca houve antes, resolveríamos o problema de controle da matéria prima e do produto final", afirma.

O uso indiscriminado de remédios para emagrecer pode causar problemas à saúde, como queda na pressão arterial, insônia e problemas cardiovasculares.