Brasília – Grande parte dos 30 mil homicídios ocorridos por ano no Brasil estão relacionados ao tráfico e ao consumo de drogas. É o que aponta o relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) das Nações Unidas (ONU), lançado mundialmente nesta quarta-feira.

O levantamento, realizado em 2003, analisa os reflexos das drogas na criminalidade e na violência vivida pelas comunidades. A principal recomendação para o enfrentamento do problema, segundo o documento, é o fortalecimento das políticas de prevenção.

O relatório aponta que metade da maconha apreendida na América do Sul aconteceu no Brasil. Ainda acordo com o levantamento, a maconha foi a droga ilícita mais consumida no mundo. No lançamento oficial do documento no Brasil, o secretário Nacional Antidrogas, Paulo Roberto Uchôa, argumentou que o grande volume apreendido é conseqüência da dimensão continental do país. E acrescentou que o Brasil não é o maior produtor da droga.

A aprovação da lei que diferencia o usuário de droga do traficante foi um dos principais avanços, na avaliação de Uchôa, no combate às drogas. Além de adotar penas alternativas, a nova lei assegura tratamento de reabilitação para os dependentes.

Para melhor diagnosticar o problema no país, Uchôa destacou que a prioridade de 2004 será fazer uma série de levantamentos. Entre as pesquisas que já estão sendo realizadas, ele citou o levantamento do perfil dos usuários e dos padrões de consumo de drogas. Quase 7% de brasileiros já experimentaram algum entorpecente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Por ano, cerca de 1,7 milhão de pessoas fazem uso de drogas no Brasil, o equivalente a 1% da população.

O representante do Escritório contra Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), Giovanni Quaglia, disse que para combater o narcotráfico no Brasil é preciso agir no ?tráfico de varejo?, aquele realizado nas comunidades, e não apenas no combate às grandes organizações do narcotráfico. ?O preocupante é as condições nas quais essas comunidades têm que viver, sob o medo gerado pelos grupos de traficantes que influenciam negativamente a qualidade de vida dessas pessoas?, afirmou Quaglia.