Caminhões e carros versus pessoas sem opção.

O trecho de aproximadamente quatro quilômetros entre o Contorno Leste, nas proximidades das Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), e a entrada do bairro Pinheirinho, é considerado um dos mais perigosos da BR-476 ( antiga BR-116), dentro da cidade de Curitiba. Em diversos pontos, os veículos passam em alta velocidade, a travessia de pedestres é difícil e os acidentes são constantes.

Apesar dos problemas, o trecho não está incluído no projeto municipal do Eixo Metropolitano, e prevê apenas a transformação de pontos da BR-476 em vias urbanas. A informação é do vereador Pedro Paulo Costa (PT), que está bastante indignado com o fato.

“Pelo projeto, os ônibus circulariam pela pista central da BR-116 e os demais veículos pelas marginais, que seriam transformadas em vias rápidas com três pistas”, afirma Pedro. “As obras prevêem a inclusão de equipamentos de segurança, que seriam de muita importância se colocados no trecho da rodovia que está excluído do projeto. O trecho, onde é grande o número de acidentes, representa imenso risco tanto aos pedestres quanto aos motoristas.”

Moradores próximos ao trecho e pessoas que atravessam com freqüência a rodovia também se queixam da falta de segurança. Em alguns locais, é tão difícil cruzar as duas pistas que, dependendo do dia e da hora, os pedestres costumam perder mais do que dez minutos esperando nos acostamentos. “Nos finais de semana, eu perco pelo menos cinco minutos esperando para atravessar. Em dias úteis, demoro até quinze minutos”, comenta o operador de produção Eliomar Santana, que costuma cruzar as pistas de bicicleta.

A empregada doméstica Clarice Silva, que diariamente cruza a rodovia, teme pelo bem-estar do filho, de 13 anos de idade, que em período escolar atravessa todos os dias para ir ao colégio. “Na BR, se a gente vacila, os caminhões passam por cima. Fico muito preocupada quando meu filho vai para a escola e sempre o oriento a atravessar com cuidado”, diz.

Na manhã de ontem, as amigas Gislaine Nascimento e Lucélia Alves lutavam para atravessar a rodovia. Diante das dificuldades, elas sugeriram a instalação de redutores de velocidade, como semáforos ou a instalação de uma passarela para pedestres. “É uma guerra atravessar ali. Muitas vezes, a gente tem que sair correndo na frente dos carros. Uma passarela ou um semáforo amenizariam bastante o problema.”

Prefeitura e Dnit

Segundo um dos coordenadores do Eixo Metropolitano, Paulo Yamamoto, o governo federal está passando para a Prefeitura um trecho de cerca de 20 quilômetros da BR-476, que vai do Trevo do Pinheirinho ao Trevo do Atuba. Esse trecho deverá passar por obras de recuperação. Será dada prioridade à extensão da Avenida Marechal Floriano Peixoto ao terminal do Pinheirinho, “onde há maior demanda de transporte”.

Paulo confirma que o trecho do Contorno Leste até a entrada do Pinheirinho não está dentro do projeto, mas que nada impede que possa ser incluído no futuro. “É questão de estudar a necessidade de obras no local, mas nossa prioridade no momento é mesmo entre a Marechal e o terminal do Pinheirinho”, informa. No momento, a Prefeitura está abrindo licitação para a contratação de empresas que serão responsáveis pelas obras incluídas no Eixo Metropolitano.

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), que ainda é o responsável pelo trecho não incluído no projeto, comunica que no início da próxima semana a instalação de redutores de velocidade no local será providenciada.