Leitura da Paixão e Morte de Cristo na Catedral.

Para os católicos, a Sexta-feira Santa é um momento de reflexão. Cada pessoa participa da maneira que quiser, indo à igreja para orar, participando de procissões, fazendo jejum e não trabalhando. De acordo com o padre Pedro Vilson Alves de Souza Filho, da Catedral Basílica de Curitiba, a Sexta-feira Santa significa relembrar a Paixão e Morte de Cristo na cruz. “Os católicos lembram que Jesus foi fiel ao projeto de seu Pai e o levou até o fim”, diz.

O dia é marcado pelo recolhimento, pela reflexão e oração. Os católicos também aproveitam a ocasião para praticar a solidariedade com os mais necessitados. “É uma oportunidade de repartir com aquele que não tem o que comer”, comenta. “Além disso, muitos fiéis ficam em jejum durante o dia, para ajudar na mortificação e voltar a viver na graça de Deus”, afirma o padre.

A fiel Aparecida de Souza, que cuida de idosos, vai até a Catedral todos os anos na Sexta-feira Santa. “Para mim é um dia de reflexão, ficar recolhida e fazer as minhas rezas. Peço perdão por tudo o que aconteceu durante o ano”, conta. “Para muitos é um dia de tristeza, mas não para mim. A Páscoa significa um momento feliz de renovação”, avalia.

O engenheiro civil Emílio Boçon escolheu uma forma diferente de celebrar o dia. Ele e mais quatro amigos percorreram a pé os bairros da cidade e passaram por quinze igrejas, simbolizando a via crúcis. “É um momento de sair daquela correria do dia-a-dia”, acredita.

Tradição

A celebração da Sexta-feira Santa começou com cerca de trinta pessoas seguindo a procissão que saiu da Igreja São Vicente, localizada na Avenida Manoel Ribas, no bairro São Francisco, até a Catedral Basílica de Curitiba, no centro da cidade. Durante o percurso, os fiéis rezavam e cantavam músicas religiosas. Em outra procissão, a do Senhor Morto, os católicos saíram da Catedral e percorreram as ruas do centro da cidade levando imagens de Jesus. No final da caminhada, o arcebispo de Curitiba, dom Pedro Fedalto, proferiu algumas palavras sobre este dia para os católicos.

Durante a tarde, os fiéis lotaram a Catedral Basílica de Curitiba para participar da leitura da Paixão e Morte de Jesus Cristo. O arcebispo explica que “a morte de Jesus foi a maior prova de amor que alguém poderia dar. É por meio dela que Ele salva o mundo dos pecados”, fala. A liturgia é marcada por quatro momentos importantes. O primeiro é a leitura da Paixão, que é a narrativa da via crúcis – a caminhada de Jesus em direção à crucificação. O segundo são as orações por todas as necessidades da igreja. O terceiro é a adoração da cruz – que significa um meio de reconhecer a salvação. O último é a comunhão. As hóstias foram preparadas na missa da noite anterior, já que este é o único dia do ano em que a igreja não faz a eucaristia.

Padres renovam promessas

Na Quinta-feira Santa, cerca de duzentos padres se reuniram na Catedral para renovar suas promessas sacerdotais. A cerimônia foi presidida pelo arcebispo dom Pedro Fedalto. “Durante a missa, os padres repetem as mesmas promessas que fizeram quando se tornaram sacerdotes: pregar a palavra de Deus, santificar o povo, obedecer ao bispo e serem pontos de referência em suas comunidades”, explica o arcebispo.

Na mesma cerimônia, foi realizada a bênção dos santos óleos da crisma, do batismo e dos enfermos. “Os óleos serão utilizados durante todo o ano em todas as paróquias de Curitiba. A bênção é sempre realizada na Quinta-feira Santa”.

Também na última quinta-feira, dezenas de fiéis compareceram à Catedral para a missa da Ceia do Senhor. Nela, foi realizada a cerimônia do lava-pés, onde doze pessoas representaram os apóstolos de Jesus e tiveram seus pés lavados pelo celebrante. “A intenção é imitar o gesto feito por Jesus antes de sua morte”, diz dom Pedro.