Um projeto desenvolvido por voluntários tem ajudado a mudar a vida de pessoas portadoras de fissura lábio-palatina, conhecida como lábio leporino. Através de mutirões de atendimento, eles realizavam cirurgias gratuitas em diversas regiões do mundo. A iniciativa é da Operation Smile, uma organização não-governamental norte- americana que existe há 24 anos, e que conta com um grupo de cerca de 20 cirurgiões e anestesistas no Brasil.

O cirurgião plástico de Curitiba Renato da Silva Freitas é um dos médicos voluntários do programa. Ele conta que os atendimentos começaram a ser feitos no País em 1996, e já passaram pelas cidades de Goiânia, Belo Horizonte, Belém, Natal e Fortaleza. A cada missão – como são chamados os mutirões de atendimento -são realizadas uma média de 150 cirurgias durante uma semana. "É uma forma de estarmos mudando a vida dessas pessoas, que muitas vezes não têm acesso a cirurgia", comentou. Só em Fortaleza, lembrou Freitas, existe uma fila de espera de 1,5 mil crianças. "Lá a incidência é maior devido a desnutrição e falta de profissionais interessados em atuar na área", afirmou.

No Paraná, a situação é diferente, pois o Estado conta com um centro de referência para o portador de má-formação labial. O Centro de Atendimento Integrado ao Fissurado Lábio Palatal (Caif) é considerado o segundo maior do País, com o atendimento de seis mil pacientes por mês. "No Caif a cirurgia é totalmente gratuita, e o paciente recebe todo o atendimento com médicos, dentistas, fonoaudiólogos e outros profissionais", explicou o cirurgião.

Incidência

De cada 600 crianças que nascem no Brasil, uma tém má- formação – no Paraná nascem cerca de 250 crianças por ano. A estimativa é que cerca de 300 mil pessoas são portadoras da deformidade no País. Segundo o cirurgião plástico, 40% das causas são, além da desnutrição, tabagismo, alcoolismo, idade avançada, uso de alguns medicamentos e genética. Com seis meses de gestação já é possível identificar a criança com o problema, porém a cirurgia só poderá ser feita após três meses de idade, para lábio leporino, e um ano para quem nasce sem o céu da boca. "A vantagem de saber com antecedência é preparar os pais para receber a criança e informar sobre as correções", disse Freitas.

Segundo o médico, a questão estética é a menos importante, já que os portadores da deformidade terão dificuldades para se alimentar e respirar, além de problemas dentários e de seguidas infecções. A cirurgia é feita em 45 minutos e considerada tranqüila para o paciente, já que a recuperação é rápida. Quem quiser saber mais sobre o programa do Operation Smile pode acessar o site www.operationsmile.or.br.