Foto: Ciciro Back/O Estado

Doações diminuem no período
de festas de fim de ano.

A medicina brasileira está bastante avançada na área de transplantes de órgãos. O Brasil, com cerca de 15 mil procedimentos realizados a cada ano, é considerado o segundo País em número de transplantes do mundo. Perde apenas para os Estados Unidos, onde são feitas aproximadamente 30 mil cirurgias anuais. Porém, para quem aguarda pelo recebimento de um órgão, esses dados positivos muitas vezes não são perceptíveis.

Apesar da grande quantidade de transplantes, o tempo de espera nas filas de doação ainda é considerado grande, o que gera muito sofrimento aos pacientes. ?Falta agilidade na realização dos transplantes. Muitos pacientes ainda morrem nas filas e outros, em função de seus problemas de saúde, ficam impossibilitados de trabalhar, adquirir renda e levar uma vida normal?, comenta o doutor em economia do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Alexandre Marinho, que recentemente realizou uma pesquisa sobre o assunto.

No decorrer de seu trabalho, Alexandre constatou que o tempo médio para uma pessoa conseguir um transplante de coração varia de dez meses a um ano; de córnea, três anos; de fígado, quatro anos e meio; de pulmão, dois anos; de rim, cinco anos e meio; de rim e pâncreas, um ano e quatro meses; e de pâncreas, dois anos e meio. Segundo ele, esses períodos poderiam ser minimizados e resultam de problemas estruturais que ocorrem a longo prazo.

As causas da demora seriam falta de comissões intra-hospitalares de transplantes, ausência de UTIs, deficiências nos serviços de emergência e principalmente órgãos que deixam de ser aproveitados por problemas nos sistemas de captação e por negativas de familiares em realizar as doações (estas ocorrem em aproximadamente 33% dos casos). No Brasil, são registradas 10 mil mortes encefálicas por ano. Em contrapartida, tornam-se doadoras efetivas apenas 1.232 pessoas falecidas. ?Uma pesquisa realizada pelo Tribunal de Contas da União constatou que 25% dos médicos não sabem que a notificação de morte encefálica é obrigatória. Por isso, acredita-se que o número de mortes seja bem maior que o registrado?, diz Alexandre. ?Para que a situação mude e haja maior agilidade no andamento das filas, é preciso que todos estes problemas sejam solucionados e que ocorram campanhas constantes de incentivo à doação?.

Poucos doadores, também, para sangue

Não são apenas as doações de órgãos que ocorrem com dificuldade no Brasil. As doações de sangue também são limitadas, principalmente nesta época do ano, em que as pessoas se preocupam com as festas de Natal e Ano Novo, viajam e esquecem de fazer suas doações.

De acordo com o diretor do Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná), Wilmar Mendonça Guimarães, em todo Estado costumam ser realizadas entre quatrocentas e quinhentas doações ao dia (120 só em Curitiba). Da segunda quinzena de dezembro ao final de janeiro, esta quantidade é reduzida em cerca de 30%. ?As pessoas se envolvem com outras coisas e esquecem de doar. Porém, as necessidades de doações permanecem?, diz. ?Além disso, é nesta época do ano que ocorre as férias de muitos funcionários do Hemepar, o que inviabiliza a coleta de sangue realizada em empresas?.

Para evitar que falte sangue (principalmente dos tipos mais raros, O negativo e A negativo), Wilmar solicita a colaboração da população. As doações podem ser feitas na sede do Hemepar, na travessa João Prosdócimo, 145, das 8h às 18h. Todos os procedimentos, que envolvem, além de coleta de sangue, entrevista com médico, duram cerca de quarenta minutos. O doador deve estar munido de carteira de identidade.

Não podem doar pessoas com menos de 18 anos, gestantes, mulheres que estão amamentando, pessoas que mantenham comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis e que receberam transfusões recentemente.