As 84 famílias que foram transferidas há mais de um ano da área de preservação ambiental, no Conjunto Ilha do Mel, em Curitiba, para um bairro de Contenda, na Região Metropolitana, continuam reclamando das condições de moradia do novo local. Afirmam que alguns itens do acordo feito com a Prefeitura para a transferencia não foram cumpridos. Entre eles, a construção de uma creche, postos de trabalho, saneamento e iluminação pública adequada. Mas a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que tudo o que estava acordado com os moradores foi efetivado.

Robson Nogueira reclama que a situação na vila é lastimável. Falta creche, trabalho e não existe iluminação no caminho que vai até o ponto de ônibus, que fica há um quilômetro da vila. Diz ainda que os carnês de IPTU já estão chegando, mas ninguém consegue trabalho ali por perto. “Só tem durante dois meses, na época da colheita da batata”, reclama. Afirma que se a situação continuar como está, muita gente vai acabar vendendo o lote e ocupando novamente a área em Curitiba.

No entanto, a assessoria da Prefeitura informou que postos de trabalho e construção de uma creche não estavam no acordo, mas sim a abertura de uma escola. O que acabou não ocorrendo porque a Secretaria Municipal da Educação de Contenda afirmou que os colégios da região tinham condições de absorver os alunos. A moradora Eva de Fátima Richter reclama que os alunos estão tendo que andar um quilômetro para chegar à escola.

Eva também reclama que valetas foram abertas em frente as casas e elas estão servindo de esgoto. A assessoria informou que as valas são necessárias para conter a água da chuva e os moradores foram orientados a fazer uso de fossas sépticas. A Cohab (Companhia de Habitação) não coloca rede de esgoto em nenhum loteamento porque os custos são elevados. Quanto a iluminação pública, a prefeitura se responsabilizou pela luz na vila e não nos acessos.

Os horários de ônibus são outro problema. A linha mais próxima só circula três vezes ao dia, ou então o morador precisa se deslocar até um quilômetro. Quanto a este item, o poder municipal diz que cumpriu a sua parte, cedendo um veículo para a empresa que opera na região.

As famílias também estão reclamando do valor das prestações dos lotes. Dizem que foi estipulado 10% de um salário mínimo, mas o valor ultrapassa esta cota e chega quase a R$ 40,00. Porém a assessoria informou que as prestações podem ser recalculadas, procedimento adotado em todos os loteamentos da Cohab. Outro problema seria o fato de os moradores já estarem recebendo IPTU, sem ter contrato assinado. A assessoria informou que a situação é normal já que eles estão usando os lotes. Eles tiveram um período de carência a partir de abril fazem os contratos e começam a pagar as prestações. Por enquanto eles têm um documento que garante o uso do local sem custos.