As áreas verdes de Curitiba contribuem para diminuir o aquecimento global. Somadas, as florestas públicas e particulares da cidade têm 1,16 bilhão de tonelada de carbono estocado em sua biomassa (galhos, troncos, folhas e raízes), o que representa 4,25 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO²) a menos no ar. O CO² é um dos principais gases do aquecimento global, e é retirado do ar pelas plantas, principalmente pelas árvores.

O estudo, primeiro do Brasil em florestas urbanas, foi concluído neste mês pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS). Feito por amostragem em 15 parques naturais da cidade, a projeção vale para toda a área de vegetação nativa da cidade, e conta também as áreas verdes particulares.

Para se ter uma idéia do benefício das florestas para Curitiba, 4,2 milhões de toneladas de CO² são a quantidade liberada por cerca de 1 milhão de veículos circulando durante um ano e meio nas ruas da cidade. “Isso demonstra à população que a função das áreas verdes no meio urbano está diretamente relacionada à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida dos cidadãos”, destaca o prefeito Beto Richa.

Os pesquisadores estudaram cinco tipos de formações florestais nativas: mata com araucária, mata sem araucária, mata secundária em regeneração, bracatingal e mata ciliar. Apesar de não ter outras cidades para comparações, a pesquisadora da SPVS Marília Borgo, que coordenou os trabalhos, o índice de absorção de carbono pelas florestas de Curitiba é considerado bom. “O resultado está dentro dos padrões apresentados em outros estudos publicados na literatura científica”, diz Marília.

O levantamento da quantidade de carbono nas áreas verdes é o primeiro passo para a Prefeitura chegar a um inventário maior sobre as interferências de Curitiba no clima. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente está preparando um estudo para medir a quantidade de gases do aquecimento global que são emitidos pelas atividades da população, com isso ter um inventário do quanto de carbono é absorvido e o quanto é emitido.

“A sociedade precisa saber qual a participação de Curitiba na balança do aquecimento global. Se estamos em débito ou com crédito. Esse inventário também vai direcionar as ações para termos uma cidade neutra em carbono, ou tentarmos chegar o mais perto do equilíbrio e contribuir com a diminuição do aquecimento do planeta”, diz o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto.