O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), organização não-governamental (Ong) financiada pelas multinacionais Monsanto, Dupont do Brasil, Syngente Seeds e Dow Ageoscienses, não conseguiu comprovar que os transgênicos não representam riscos para o produtor rural, o meio ambiente e a saúde humana.

Declarações de seus contratados comprovam os problemas dos transgênicos, conforme entrevista realizada quarta-feira em Curitiba, na sede da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), principal parceria da Monsanto na campanha pela difusão dos transgênicos no Paraná.

Os riscos que os transgênicos representam à saúde humana foram confirmados pelo farmacêutico bioquímico e professor da Universidade de São Paulo (USP), Flávio Finardi. Ele admitiu que não existem riscos zero com os transgênicos. Finardi, textualmente, declarou: "Os riscos são inerentes aos processos de modificação assim como o são em toda atividade humana. Porém, são quase zero à saúde dos consumidores e compensados, por exemplo, pelas quedas de custos operacionais e de manejo agrícola".

A questão dos royalties cobrados pela Monsanto também foi confirmada pela advogada Patrícia Fukuma, funcionária do CIB. "No Brasil, existe lei de propriedade industrial, que garante às empresas o direito de serem remuneradas pelo uso de suas tecnologias. A utilização ou não de transgênicos deve ser uma opção de cada um, havendo liberdade de escolha".

Já o agrônomo José Maria da Silveira, também contratado pela Ong da Monsanto, não apresentou pesquisas ou comprovação de que plantações transgênicos não trazem danos ao meio ambiente e de que os genes se espalham, contaminando lavouras vizinhas, ao contrário do que comprovam experimentos científicos e do que ocorreu na Argentina e no Rio Grande do Sul, onde lavouras de soja convencional e orgânica foram contaminadas pela variedade transgênica. Ele afirmou que isto não tem procedência..

Nenhum dos três contratados pela Ong da Monsanto contestou a contaminação química do solo pelo uso do herbicida glifosato e a queda de produtividade da soja transgênica. Também não comentaram a tendência mundial dos consumidores, principalmente na Europa, em rejeitar produtos transgênicos.