O presidente dos EUA, Barack Obama, disse hoje a congressistas republicanos que não entrará em uma longa negociação com eles sobre como evitar o abismo fiscal. Para o presidente, os partidos podem entrar em um acordo dentro de uma semana, desde que os rivais admitam o aumento de impostos para os cidadãos americanos mais ricos.

Obama deu as declarações em um encontro com executivos. Disse que a hipótese de os republicanos deixarem o problema se arrastar até o ano que vem para colocar o governo sob pressão é uma “má estratégia” para eles e para todo o país. “Quero mandar uma mensagem muito clara aos presentes: nós não vamos jogar esse jogo no ano que vem”, disse.

Em 2011, o impasse entre democratas e republicanos deixou os EUA perigosamente próximos do calote. Neste ano, os EUA uma vez mais se aproximam do limite. O teto para empréstimos do Tesouro americano é de US$ 16,4 trilhões, o que deve ser atingido no fim deste ano, mas medidas emergenciais devem ser capazes de manter todas as contas em dia até o começo de 2013.

Sem acordo, os EUA podem ser forçados a dar calote na segunda metade de fevereiro.

De acordo com o jornal americano “New York Times”, a oposição discute a ideia de ceder no teto, porém, em troca, forçar Obama a aprovar mais cortes de gastos, de modo a evitar o aumento de impostos para os ricos.

O que o governo de Barack Obama quer é que o acordo sobre o aumento do teto de empréstimo do Tesouro seja atrelado ao acordo para evitar o abismo fiscal.

“Se o Congresso, de alguma forma, sugere que vai amarrar as negociações aos votos do teto fiscal e nos levar às cordas do calote uma vez mais como parte de uma negociação de orçamento -que, aliás, nunca tínhamos tido-, eu não vou jogar esse jogo. Temos de quebrar hábitos antes que eles comecem.”

Republicanos e democratas têm até o dia 31 de dezembro para entrar em acordo, antes que entrem em vigor cortes drásticos e genéricos na Defesa e nos programas sociais do governo que foram determinados em 2011 enquanto, simultaneamente, expiram benefícios tributários que vigoraram para a classe média e a classe alta na última década.

Sem acordo, os benefícios não serão estendidos -o que implicaria em aumento da alíquota de impostos entre três e cinco pontos percentuais.

O cenário pode jogar os EUA na recessão e aumentar o desemprego.