As autoridades chinesas resistem aos protestos dos jornalistas estrangeiros que reivindicam liberdade no acesso à internet em Pequim durante os Jogos Olímpicos, conforme fora prometido pelo governo do país em 2007. Os jornalistas afirmam não conseguir acessar sites considerados “incômodos” na China.

As “liberalizações” anunciadas no ano passado para a imprensa estrangeira durante as Olimpíadas deveriam durar até outubro, mas muitos jornalistas já denunciam as contínuas interferências por parte das autoridades.

Nesta terça-feira (29), o australiano Kevan Gosper, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) que está à frente da Comissão de Imprensa para os Jogos, afirmou que o comitê “vigiará a aparente censura que impede os jornalistas estrangeiros de navegar livremente na internet”. Há pouco mais de uma semana da abertura das Olimpíadas, o governo ainda mantém a restrição a certos sites.

“Sabemos que na China existe a censura, mas nos foi prometido que a imprensa estrangeira teria a mesma liberdade de acesso às informações das edições precedentes dos Jogos Olímpicos”, afirmou Gosper. “Conduziremos as investigações para garantir que não haja nenhum obstáculo no trabalho dos jornalistas”, acrescentou.

Outra reivindicação feita pela imprensa é por maior rapidez na velocidade da conexão, pois a lentidão do serviço é outro problema recorrente. Acredita-se que isto seja causado pelo controle feito por milhares de “ciber-policiais” ativos na China.

Durante a entrevista coletiva realizada no Main Press Center, o responsável pelas comunicações do Comitê Organizador das Olimpíadas, Sun Wenjia, negou que haja censura e lembrou que alguns sites “poderiam ser inacessíveis por conta de dificuldades técnicas”. “Pelo que eu sei, o acesso à internet não é um problema”, respondeu Wenjia a um jornalista norte-americano que declarou não ter conseguido abrir alguns sites como o da BBC e o da Apple Daily, uma publicação de Hong Kong de oposição ao governo chinês.

Hoje, contudo, foram inúteis as tentativas de acessar o site da Anistia Internacional, que publicou ontem um relatório acusando a China de não ter mantido as promessas em relação aos direitos humanos.

Uma “lista negra” de sites que, segundo as autoridades, contêm informações “ilegais e danosas” foi recentemente publicada pelo Centro Chinês para os Conteúdos Ilegais de Internet, com o objetivo de criar “um ambiente de internet mais saudável”. Além disso, a capital chinesa estreitou o cerco às muitas publicações feitas com colaboração estrangeira, ordenando o fechamento de dezenas de sites.