O Gabão terá sua primeira eleição presidencial em 41 anos, neste domingo. Um dos principais temas para os candidatos é como cumprir a promessa mantida pelo presidente Omar Bongo Ondimba até sua morte, em junho: usar uma das maiores reservas de minério de ferro não exploradas do mundo para transformar o país em uma das economias africanas mais prósperas.

A mina Belinga, localizada em meio a uma floresta tropical, gerou interesse em grandes mineradoras mundiais, incluindo a brasileira Vale. Em 2006, o Gabão concedeu o projeto a um consórcio liderado pela China National Machinery & Equipment Import & Export Corp., conhecida como CMEC.

O consórcio pode explorar o minério de ferro ali sem pagar impostos relacionados à produção pelos próximos 25 anos. Em troca, investidores chineses se comprometeram a construir uma ferrovia de 480 quilômetros, hidrelétricas e um reservatório de águas profundas para ajudar a desenvolver a mina, segundo Ondimba. O trabalho, porém, ainda não avançou além dos estudos de viabilidade.

Durante suas quatro décadas no poder, Ondimba recebeu o crédito por manter a ex-colônia francesa em paz, longe de conflitos étnicos e guerras civis que assolaram muitas nações africanas.

Porém foi bastante criticado por não aproveitar a substancial receita da exportação de petróleo – o país do oeste africano também é rico no produto -, madeira de construção e manganês para melhorar a economia.

O Gabão tem 1,5 milhão de habitantes. No ano passado, obteve US$ 9 bilhões em receitas de exportação de petróleo e outras matérias-primas. Economistas apontam que o valor poderia tornar a nação tão próspera quanto alguns dos países do Oriente Médio ricos em petróleo. Porém apenas 10% das vias locais estão pavimentadas, e no ano passado os gaboneses protestaram pelo aumento dos preços nos alimentos.

Quem está na frente na disputa presidencial é um filho de Ondimba, Ali Bongo Ondimba, ex-ministro da Defesa. Caso eleito no domingo, romperá com esse legado do pai, garantiu uma porta-voz da campanha.

Outro candidato presidencial, Andre Mba Obame, afirmou que “Belinga é um símbolo do que deve mudar no Gabão. Nós precisamos nos livrar de ministros incompetentes e corrupção generalizada. Precisamos falar menos e agir mais.”

No Gabão, a eleição é em turno único. O novo presidente pode vencer com uma pequena fração dos votos. Mba Obame, ex-ministro do Interior e atual candidato, aponta o risco de que o próximo líder “não tenha um mandato forte”, pois deve ser eleito por uma minoria de votos. Inicialmente, haveria 23 candidatos na disputa. Hoje, porém, 11 deles desistiram, em favor de Mba Obame. As informações são da Dow Jones.