O principal comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o almirante norte-americano James Stavridis, disse que recomendará o fim da operação de sete meses na Líbia. Stavridis fez o anúncio na sua página no Facebook, pouco antes da reunião da aliança atlântica em Bruxelas nesta sexta-feira, com representantes militares dos 28 países da Otan.

“Como comandante aliado supremo, eu recomendarei a conclusão da operação em poucas horas”, escreveu Stavridis. “Um grande dia para a Otan, um excelente dia para o povo da Líbia”.

A decisão do conselho da Otan dependerá da recomendação de Stavridis, mas também levará em conta a vontade do governo interino da Líbia e das Nações Unidas, que concedeu à Otan o mandato para bombardear as forças do falecido governante Muamar Kadafi.

Mais cedo, a Otan disse que seus comandantes não sabiam que Kadafi estava no comboio que tentava fugir de Sirta. Em comunicado, a Otan disse que seus caças atacaram um comboio de 75 veículos que tentava fugir da cidade, que no momento já estava sob assalto final das forças do governo interino líbio. Um veículo foi destruído no bombardeio, o que levou à dispersão do comboio.

Outro caça atacou aproximadamente 20 veículos do comboio original que viajava a grande velocidade em direção ao deserto no sul, destruindo ou danificando 10 veículos.

“Mais tarde nós soubemos, a partir de fontes da inteligência, que Kadafi estava no comboio e que o ataque dos caças contribuiu para a captura do ex-governante”, disse um comunicado da Otan. Após os ex-rebeldes líbios terem assassinado Kadafi ontem, oficiais da Otan disseram esperar que a operação termine rapidamente. Algumas patrulhas aéreas poderão ser mantidas por mais alguns dias até a situação no oeste da Líbia se estabilizar.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que o fim da campanha “está muito próximo”. Ele também elogiou o sucesso da operação Escudo Protetor, que se seguiu à operação Aurora da Odisseia, autorizada pelas Nações Unidas no final de março.

Os caças e bombardeiros da Otan aniquilaram o exército de Kadafi. Eles realizaram 26 mil voos, incluídas 9 mil missões de ataque e bombardeio. Eles destruíram as defesas aéreas da Líbia e mais de mil tanques de guerra, veículos militares e baterias antiaéreas, bem como as redes de comando e controle do ex-governante. Os bombardeios sistemáticos romperam o impasse entre as forças rebeldes e o exército regular de Kadafi, ao permitirem já em agosto um avanço dos insurgentes das montanhas Nafusa, perto da fronteira com a Tunísia, rumo a Trípoli, que caiu no final do mês.

As informações são da Associated Press.