O governo brasileiro já traçou duas linhas básicas das negociações que terá com o novo comando do Paraguai. A primeira: o Tratado de Itaipu é intocável, mas outras formas de engordar o caixa do país vizinho poderão ser analisadas. Pode-se, por exemplo, adiantar pagamentos pela energia de Itaipu, e com o dinheiro criar um fundo de desenvolvimento do país. A segunda: a ajuda não será de graça. O Brasil vai, por exemplo, insistir numa proposta de atuação conjunta das polícias na fronteira dos dois países.

O Brasil tem propostas a oferecer. São idéias que já estavam em discussão antes das eleições e poderão ser colocadas sobre a mesa durante a visita que Fernando Lugo, presidente eleito, fará a Lula antes de assumir o governo, em 15 de agosto. A ajuda mais imediata é o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de uma linha de transmissão entre Itaipu e a região de Assunção. A capital paraguaia sofre com constantes apagões – não porque falte eletricidade, mas pela deficiência da infra-estrutura para levá-la até os consumidores.

O Brasil está disposto ao diálogo, mas pedirá contrapartidas como uma cooperação maior entre as polícias dos dois países. A fronteira gigantesca e mal policiada prejudica o ambiente de negócios e é ambiente fértil para atividades ilegais, como contrabando de armas, drogas e mercadorias. Especialistas consideram que esse deveria ser o centro das conversas entre Brasil e Paraguai. Resta saber o que quer o novo governo do Paraguai. Até o momento, tudo o que se conhece são as propostas apresentadas na campanha eleitoral, durante a qual os ataques à ?exploração? dos paraguaios pelo Brasil foram o principal mote. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.