Os argentinos votam neste domingo em uma eleição primária que deve indicar se o presidente Mauricio Macri, com sua postura pró-negócios, será reeleito na disputa presidencial que terá primeiro turno em outubro. Macri deseja acelerar reformas de mercado, enquanto rivais mais à esquerda rejeitam esse plano.

A primária nacional coloca todos os candidatos uns contras os outros e aqueles que atingirem ao menos 1,5% dos votos são considerados elegíveis para a disputa presidencial. A primária, porém, também dá um forte indício das preferências antes da eleição.

A campanha está polarizada entre Macri e Alberto Fernández, membro do poderoso movimento peronista que tem como companheira de chapa a ex-presidente Cristina Kirchner, uma política nacionalista. Muitos argentinos acreditam que Cristina é quem manda em sua chapa.

O resultado pode provocar volatilidade na terceira maior economia da América Latina, três semanas após a Argentina e seus parceiros do Mercosul fecharem um acordo comercial com a União Europeia que poderá abrir a economia argentina, uma das mais fechadas no mundo atualmente. Fernández critica o pacto como um revés para a indústria local.

Uma vitória de Fernández por mais de 5 pontos porcentuais seria vista por investidores como um risco de volta ao poder de Cristina, dizem analistas. Durante seus oito anos de mandato, encerrados em 215, ela nacionalizou empresas, implementou controles de preços e fez um calote na dívida do país. O governo foi ainda marcado por escândalos de corrupção, com Cristina agora enfrentando um julgamento por acusações de propina, o que ela nega.

Macri, por sua vez, tem popularidade baixa, por causa de uma recessão econômica e pela inflação de dois dígitos. Um resultado fraco dele neste domingo pode gerar um movimento de venda de pesos argentinos, o que elevaria ainda mais a inflação e geraria mais descontentamento, afirma Matías Carugati, economista-chefe do instituto de pesquisas Management & Fit, sediado em Buenos Aires. “As coisas ficarão ainda mais difíceis para Macri”, diz Carugati. “Será complicado para o banco central manter as coisas sob controle.”

Na disputa no fim do ano, caso um candidato obtenha 45% dos votos vencerá no primeiro turno. O mesmo ocorre se alguém conseguir 40%, mas com vantagem superior a 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado. Em caso de um provável segundo turno, os institutos de pesquisa dizem que há um empate técnico entre o atual presidente e Fernández. Fonte: Dow Jones Newswires.