Ministro da Cultura defende adiamento na escolha do padrão de TV digital

Rio – O ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu hoje (5) que não seja feita neste ano a escolha do padrão de TV digital que o Brasil irá adotar. Por ser um ano eleitoral, afirmou, isso poderia atrapalhar o processo. "As comunicações sociais têm um papel crítico, no sentido amplo da palavra, em relação ao processo eleitoral. Elas também têm um papel de pressão sobre as formas de ver, avaliar e decidir", justificou, em debate na Associação Brasileira de Imprensa.

Segundo Gilberto Gil, o ministério não tem preferência por nenhum dos três modelos ? o padrão europeu (DVB), o japonês (ISDB) ou o americano (ATSC) ? para substituir a atual TV analógica. "Nós não estamos a favor de nenhum modelo. Estamos a favor que a decisão seja a melhor para se criar um novo modelo de comunicação, estimulando as produções regionais e independentes", afirmou.

O adiamento na escolha do padrão de TV digital também foi defendido pelo presidente do Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura (Indecs), Gustavo Gindre. "Eu estou preocupado que esta decisão venha a ser tomada num ano eleitoral, quando os radiodifusores têm um poder de pressão sobre o governo muito maior", disse.

Entre os debatedores estavam ainda a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o presidente da agência de projetos de comunicação Oboré, Sérgio Gomes da Silva. A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert) também foi convidada, mas não enviou representante.

A TV digital é uma tecnologia que pode funcionar como uma televisão comum na transmissão de programas, pode ser usada para entrar na internet ou mesmo para transmitir ligações de telefone, inclusive celulares.

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