O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende manter Henrique Meirelles no comando do Banco Central (BC), mas trocará diretores da instituição considerados "burocráticos". Com estilo conservador, Lula não dará guinada na economia, mas não quer que o segundo mandato seja apenas continuidade do primeiro: acredita que há espaço para o País crescer mais, com queda mais acelerada dos juros. Meirelles só não ficará no governo se não aceitar as mudanças que Lula planeja fazer na diretoria do BC, para adequá-las à orientação de crescimento mais rápido da economia.

Apesar das pressões de petistas por uma inflexão radical na política monetária, as maiores alterações no ministério, previstas para dezembro, serão no território da política, uma vez que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também deve permanecer na equipe.

"Não vou correr riscos", disse o presidente a um auxiliar, na manhã de ontem, antes de dirigir a reunião da coordenação de governo, no Palácio do Planalto, que, mais uma vez, tratou de investimentos. Na prática, Lula quer reforçar a área de infra-estrutura no segundo mandato e fortalecer os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Integração Nacional. A receita para o crescimento passa pela elevação da taxa de investimentos do País, de 20% para 24,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, chegou a dizer que seu contrato terminava no fim do ano, mas é possível que permaneça no time. Se não ficar, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter é cotado para a vaga. Lula gosta de Gerdau, que integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social desde 2003, e poderá escalá-lo para outra função.

Com 15 dos 34 ministérios, o PT faz discurso público de que deixará Lula à vontade para compor a equipe, mas, na prática, não é bem assim. Muitos petistas torcem o nariz para a possibilidade de o deputado eleito Ciro Gomes (PSB-CE) ocupar o Ministério da Saúde. Motivo: a pasta é estratégica e, com ela, Ciro tende a se projetar como o candidato à sucessão de Lula, em 2010.

Nas fileiras do PT, há outros nomes de olho nesse título, como a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy e o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner. Marta se credenciou para a Esplanada ao coordenar com sucesso a campanha de Lula em São Paulo, no segundo turno. Está cotada para assumir Cidades, pasta hoje comandada pelo PP de Paulo Maluf.

Lula não decidiu até agora o que oferecer ao PP e ao PL, duas siglas envolvidas no escândalo do mensalão. O PTB de Roberto Jefferson, pivô da crise que sacudiu o governo, continuará representado por Walfrido Mares Guia no Ministério do Turismo.

A Democracia Socialista, facção de esquerda no mosaico petista, pressiona pela manutenção do Desenvolvimento Agrário com o PT. Gostaria de reacomodar Miguel Rossetto, que só deixou a pasta para concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Rossetto perdeu a eleição e está desempregado, assim como Olívio Dutra, que disputou o governo gaúcho. Velho amigo de Lula, Olívio já foi ministro das Cidades, mas não deve voltar para o ministério.