O que o terrorismo internacional, a ocupação do Iraque, o furacão Catarina e as inundações das cidades brasileiras têm a ver com o Desenvolvimento Sustentável?

Os inocentes americanos mortos em 11 de setembro de 2001, assim como os espanhóis em 11 de março de 2003 e as dezenas de iraquianos que morrem diáriamente com a ocupação do Iraque pela brutalidade do governo Bush, têm algo muito em comum com o furacão que devastou a costa catarinense e as inundações de Paranaguá. Como?

A resposta esta na resistência de líderes mundiais e das grandes empresas em não adotarem imediatamente uma postura sócio-ambiental pró ativa, para que ocorra a mudança necessária no nosso modelo econômico em favor do Desenvolvimento Sustentável. Apesar do desgaste do termo pelo uso superficial e pelo marketing do consumo, ainda é a nossa melhor proposta de garantirmos qualidade de vida para todas as espécies deste Planeta (incluindo o mamífero homem) e de que seja mantido seu equilíbrio para as gerações vindouras. Sustentabilidade hoje significa acima de tudo uma transição da economia global baseada no uso de combustíveis fósseis não renováveis e seus impactos sócio-ambientais, para uma economia solidária onde predomine o uso de energias renováveis. A recusa do Governo Bush no início de seu mandato em assinar o Protocolo de Quioto, o acordo internacional para implantar medidas de redução de emissão dos gases que provocam o aquecimento global da atmosfera, o Efeito Estufa, era um sinal para o que viria acontecer em seguida.

O controle do petróleo e de posições estratégicas no oriente médio pela força, garante as multinacionais do óleo negro, a continuidade de seus lucros e um folego a mais diante do fato de que este recurso natural não irá durar mais de 100 anos. Bush e o seu vice Cheney, entram neste cenário apenas como “marionetes do terror”, lógicamente, marionetes que ficam mais ricos a cada dia, beneficiando suas contas bancárias, as indústrias do petróleo e de armamentos. São coniventes com os relatórios duvidosos de interesses das petrolíferas, principalmente, da Exxon Mobil, que procuram negar o aquecimento global e outros problemas ambientais, muitos destes divulgados pela sua própria agência oficial americana para a proteção ambiental, a EPA Environmental Protection Agency. Também contrariam o Pentágono, o departamento maior das suas forças armadas, que alerta para uma instabilidade política-social global crescente com o possível aumento do fluxo de migrações de populações inteiras, quando forem inundadas milhares de cidades em decorrência da elevação do nível das águas dos oceanos. A insanidade do governo Bush serve como um bom motivo para a escalada do terrorismo controlado por fanáticos, assim como para os loucos de plantão, travestidos de líderes políticos, usarem seu poderio militar para oprimir outros povos.

Mas como entra o Catarina (seja ele furacão, tufão ou ciclone!) e as inundações das cidades brasileiras entram nesta estória?

Infelizmente, o Brasil poderá ver sua imagem de país isento de furacões, terremotos e maremotos ser alterada nos próximos anos. Hoje, todos os países do mundo podem sofrer as conseqüências de continuarmos com o volume absurdo de emissão diária de monóxido e dióxido de carbono dos nossos automóveis, indústrias e termelétricas, sem falar nos “acidentais” incêndios de florestas (principalmente, na Amazônia, ainda a espera de uma política governamental de bom senso!). Pode-se especular várias razões porque o Catarina arrasou algumas cidades catarinenses, e vermos até mesmo as contradições de especialistas, como que ocorreu horas antes da catástrofe, no entanto, não se pode negar os atípicos verões e invernos, as inundações que atingiram Paranaguá na Páscoa e outras constantes tempestades Brasil afora que, somente este ano, atingiram mais de 15 estados e causaram dezenas de mortes e prejuízos que já ultrapassam os 100 milhões. A novidade nisto tudo é o furacão que se formou na costa brasileira devido o aumento da temperatura de águas do oceano. Quantos mais ainda veremos nos próximo anos? É uma incógnita!

Iniciarmos nossa transição para o Desenvolvimento Sustentável requer mudanças radicais de como lidamos com nossa economia industrial até uma revisão profunda da expansão da globalização nos moldes como ela se deu, isto é, concentrando renda e causando mais desempregos. Isto significa termos uma economia solidária baseada na geração de postos de trabalho e eco-produtos – produzir com matéria prima que possa se renovar, utilizar energias renováveis, praticar a produção limpa com eficiência energética e ter resíduo zero.

É preciso cessar o aumento do número de marginalizados da economia global que crescem na mesma proporção que a deterioração dos ecossistemas que mantém os serviços ambientais do Planeta sem custo algum. Apesar de haver mais riqueza circulando, hoje há mais pessoas vivendo com menos de 1 dólar americano (quase R$ 3,00) ou menos por dia do que anteriormente, principalmente na América Latina, África e Europa Oriental. Desigualdade social, pobreza e desemprego cresceram em proporções semelhantes à destruição das nossas florestas, redução de nossos recursos minerais, degradação dos solos, poluição de nossos rios e oceanos, aquecimento da atmosfera e diminuição dos nossos recursos costeiros e marinhos.

Reverter este processo ainda está nas mãos da humanidade. E uma questão de escolha, de opções que passam pela adoção de uma vida mais simples, sem o consumo supérfluo, de usarmos menos nosso automóveis, de participar das decisões que afetam nosso bairro e nossa cidade, por sermos mais generosos e enxergarmos o outro, assim como fazermos valer nossa cidadania, pressionando políticos e empresários para o caminho da sustentabilidade. Isto tem uma dimensão espiritual maior que a usada por Bin Ladem, Bush ou Sharon, que somente usam o nome de Alah, God e Jeová, para enganarem suas consciências e espalharem o ódio. Estes sim são os verdadeiros furacões do horror!

Eloy F. Casagrande Jr,

PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia do CEFET-PR Consultor do Instituto do Desenvolvimento Sustentável ? IDS