O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quer que os times e as seleções de futebol de países racistas deixem de participar de competições mundiais e que os clubes sejam punidos. O pedido foi feito em carta enviada ao presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter e explicado hoje (8), em edição especial do programa de rádio Café com o Presidente.

Na carta, Lula contou que pede à federação medidas severas. "A Fifa tem que tomar atitudes drásticas. Primeiro tem que punir o clube, ou ele perde um ponto, ou perde um mando de jogo, qualquer coisa. Se persistir no país, até a própria seleção tem que ser punida, ela não participa de eventos internacionais".

Lula explicou que a decisão de enviar uma carta ao presidente da Fifa foi tomada após assistir na televisão cenas de preconceito de torcidas de clubes europeus contra jogadores brasileiros. "é uma cobrança contra algumas coisas que eu estou vendo na televisão. Eu já vi fazerem contra o Roberto Carlos na Espanha, já vi a torcida do time adversário do Barcelona fazer um gesto de macaco para o centro-avante Heitor e então resolvi escrever".

Preconceito e futebol são conceitos contrários, na visão do presidente. Para ele, "preconceito é uma coisa odiosa. O racismo é mais odioso ainda". Já o futebol "significa paz, alegria. Não pode ser um lugar em que a gente vá pra mostrar as nossas maldades. A gente tem que ir lá para mostrar as nossas bondades, alegres, torcer, gritar, brincar e respeitar o atleta que é o artista que está em campo jogando".

Lula ressaltou que a vaia pode fazer parte do jogo, mas o desrespeito não. "O torcedor que paga o seu ingresso tem direito de vaiar e de comemorar. O que não tem direito é de colocar os seus preconceitos pra fora, seja num estádio de futebol, num teatro, na rua, na sua casa. O preconceito é uma doença e nós precisamos tratá-la com muito rigor pra que a gente estirpe, de uma vez por todas, o preconceito no mundo".