O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, criticou nesta segunda-feira (23) o movimento em torno do fim da reeleição. Para Dirceu, a proposta agora "só prejudica a reforma política" e é do interesse do PSDB. "Do ponto de vista político, para o País nesse momento acabar com a reeleição, eu acredito que só prejudica a reforma política porque não é simples acabar e, na verdade, é do interesse do PSDB, principalmente do governador Aécio Neves e José Serra. Como foi do interesse deles fazer a reeleição em 97.

Dirceu acredita que, "do ponto de vista doutrinário", o fim do instrumento é "bom" para o PT. "Porque o PT sempre foi contra". Mas a reeleição, na sua opinião, ainda precisa ser experimentada. "O Brasil aprovou isso em 97. Teve três eleições com reeleição, já vai acabar? Vamos fazer a experiência. Se for para acabar com a reeleição, vai ter que resolver a coincidência de mandatos, vai ter que eleger algum mandato com um ano a mais ou com um ano a menos…", observou. "Assim não há país que agüente. Instituições que são construídas no País precisam ser experimentadas, por isso sou contra acabar com a reeleição agora".

Ele evitou comentar a aproximação dos tucanos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E corroborou a declaração de Lula sobre a polêmica, durante o programa semanal de rádio Café com o Presidente. "Ele, na verdade, disse que sempre foi contra a reeleição, mas que agora essa é uma questão do Congresso, dos partidos e não dele como presidente, até porque ele é parte. Ele foi reeleito".

Caixa 2

Pela manhã, após uma palestra para jovens de uma ONG na zona norte de Belo Horizonte, o ex-ministro afirmou que sem a reforma política, "o caixa 2 vai continuar existindo" no Brasil. "Precisamos fazer a reforma política. Sem a reforma política e fidelidade partidária, as eleições vão continuar sendo caras. O poder econômico vai continuar mandando e o caixa 2 vai continuar existindo".