O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, explicou hoje o interesse do Japão em investir na produção de etanol e biodiesel no Brasil. "A idéia central se prende a uma substituição das importações do Japão: de produtos derivados do petróleo para produtos de origem agrícola", afirmou. Uma nova lei japonesa obriga a mistura de 3% de etanol à gasolina, o que demandará 1,8 bilhão de litros por ano. O Japão quer garantir fornecedores. Além da diversificação na dependência de combustíveis, os japoneses estão preocupados com a questão ambiental.

A contrapartida do Brasil será a tecnologia, capacitação e desenvolvimento de projetos. "O aporte de capital japonês nos ajuda a manter a liberação mundial (na produção de etanol)", comentou. Na terça-feira, o ministro recebeu de representantes do Japan Bank International Cooperation (JBIC) o estudo "Programa Brasileiro de Agricultura Energética", que detalha a liberação de recursos da instituição financeira para a produção de etanol e biodiesel no País.

O estudo começou a ser feito em 2003 numa parceria entre técnicos da Secretaria de Produção e Agroenergia e do banco japonês, principal instituição de desenvolvimento do Japão. Ao entregar o estudo de 350 páginas, o banco comprometeu-se a liberar R$ 1,286 bilhão para o programa, recursos que serão disponibilizados a partir de abril de 2007, início do calendário japonês. O estudo avalia a situação atual e as restrições do etanol no País.

Restrição

Em estudo entregue nesta semana ao ministro da Agricultura, representantes do Japan Bank Internacional Cooperation (JBIC) e técnicos da Secretaria de Produção e Agronergia enumeram as "restrições" para a ampliação da produção de etanol e biodiesel no Brasil.

Eles informam que as áreas de cultivo estão concentradas no interior de São Paulo e nos Estados de Pernambuco e Alagoas. Outro problema é a restrição às queimadas, o que, na visão dos técnicos, aumenta os custos de produção, já que os produtores precisarão comprar máquinas.

Também lembram que a instalação de uma usina pode custar cerca de R$ 374 milhões. Em reunião na manhã de hoje, representantes do JBIC insistiram que o Brasil precisa garantir o fornecimento do etanol. Essa preocupação também está expressa no relatório entregue nesta semana ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. "Transferência de produção para o açúcar que poderá ter preços mais atraentes", citam na lista de "riscos".