O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, descartou hoje, em entrevista coletiva, o risco de ser frustrada a reunião entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush, em virtude de o governo norte-americano transferir para o Congresso daquele país a decisão de reduzir o imposto de importação sobre o etanol brasileiro.

Mais do que incentivar o comércio bilateral do combustível, Guedes destacou que o encontro tem o objetivo de consolidar o etanol como uma commodity e, assim, criar um arcabouço normativo com a definição de padrão mundial. "Um dos objetivos da discussão sobre etanol entre os presidentes é o de caminhar para a transformação do etanol em uma commodity, um produto de ampla comercialização no mercado mundial", disse o ministro, depois de participar da abertura da XII Reunião do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, no Hotel Renaissance, em São Paulo.

De acordo com o ministro, por responderem a 70% da produção mundial de álcool, Brasil e Estados Unidos trabalharão para a disseminação do combustível em termos de fabricação e consumo em outros países, sendo que os norte-americanos tendem a oferecer financiamento a outras nações para o cultivo de produtos agrícolas que resultem em álcool, ao passo que os brasileiros poderão oferecer tecnologia para a elaboração do insumo. "Queremos que outros países produzam álcool até para haver maior comprometimento do uso do combustível", justificou, complementando que o foco do desenvolvimento deverá ser em nações menos desenvolvidas situadas no Hemisfério Sul, nos continentes americano, africano e asiático.

Por fim, o ministro da Agricultura insistiu que o presidente Lula introduzirá o tema do biodiesel nas tratativas com o presidente Bush, por entender que este combustível também permitirá descentralização de produção e maior variedade de cultivo, tornando-se um insumo de fácil disseminação e capaz de gerar renda em localidades mais pobres.

Na participação da abertura do evento, Guedes queixou-se do nulo crescimento do comércio bilateral entre Brasil e Japão constatado na última década e conclamou os empresários participantes do encontro a apoiarem a aquisição de produtos brasileiros, especialmente na área agrícola, com ênfase em alimentos e biocombustíveis.