Brasília – A Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) vai encaminhar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa) um documento em que contesta formalmente as novas regras para o funcionamento das farmácias de manipulação, ou magistrais. "Ficamos perplexos ao ler a regulamentação", afirmou a presidente da Anfarmag, Vânia Regina de Sá.

Ela garante que o ponto mais polêmico do texto, a proibição de que farmácias de manipulação preparem medicamentos que já são vendidos pela indústria, em nenhum momento foi discutida com sua associação. Ao lado de representantes de Estados, municípios e entidades médicas, a Anfarmag participou de um grupo de trabalho formado pela Anvisa para discutir as regras de funcionamento das farmácias magistrais. "Durante um ano, em nenhum momento este tema surgiu", diz.

Além de incluir um ponto que nunca foi discutido, Vânia afirma que a Anvisa passou por cima de uma decisão do grupo de trabalho e proibiu a propaganda das farmácias de manipulação. "Para o grupo de trabalho, ficou clara a necessidade de pensar melhor sobre o assunto e não restringir totalmente a propaganda. A Anfarmag enviou uma proposta, mas, pelo visto, ela não foi considerada", afirma Vânia.

Numa entrevista à reportagem, o presidente da Anvisa, Cláudio Maierovitch afirmou que a restrição de venda tem como objetivo dar maior segurança para pacientes. Ele disse estranhar que um medicamento produzido artesanalmente possa ter um preço inferior ao da indústria. Em alguns casos, o preço de remédios feitos pelas farmácias magistrais chega a ser 60% inferior do que o cobrado pela indústria. Para Vânia, não há segredo nesta economia: "Não temos gasto com propaganda, não temos aquela rede de intermediários ou muita despesa com embalagem. É claro que tudo isso torna o produto mais barato", lembra.

Vânia descarta, ainda, qualquer problema relativo à qualidade da matéria-prima. "Assim como a indústria, toda matéria-prima é importada e passa por todo um processo de controle", garante. "Esperamos que esse artigo seja retirado do texto. Caso contrário, será uma afronta à atividade do médico e ao direito do paciente de ter um remédio mais barato."