O senador Cristovam Buarque (PDT/DF), pré-candidato a Presidência da República, disse que a educação será o principal eixo do programa de governo pedetista na provável disputa à Presidência da República. ?Eu creio que é possível ter uma proposta nítida diferente, responsável na economia, transformadora no social e o eixo desse programa transformador é a educação. O PDT é o partido que sempre colocou a educação em primeiro lugar?, disse Buarque no programa ?Brasil Nação?, transmitido na noite de domingo (19) pela TV Paraná Educativa.

Buarque – que foi recebido pelo governador Roberto Requião na TV paranaense ? disse ainda que espera se apresentar contra os candidatos do continuísmo, citou o presidente Lula e o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), e criticou o que chamou de ?pensamento único?. ?Se tivermos mais quatro anos desse pensamento único, pode matar uma geração inteira, pode matar o espírito, a imaginação, a intelectualidade de toda uma geração?, declarou.

Questionado pela jornalista Maria Flores, âncora do programa, o senador pedetista classificou como pensamento único a continuidade do rumo da economia aliada a alguns programas assistenciais. Para ele, a retórica que o crescimento vai chegar aos pobres no Brasil é uma ?mentira de 50 anos. Esse é o pensamento único de hoje: a economia é capaz de resolver os problemas sociais ou problemas sociais não existem?.

?O pensamento novo para resolver os problemas da exclusão, para transformar o país Brasil numa nação brasileira, para fazer do Brasil uma grande família, ainda que com desigualdade, o caminho é fazer políticas públicas dirigidas diretamente para mudar a realidade social. E o principal instrumento disso é a uma revolução na educação?, completou.

Educação federalizada

O senador do PT, que foi entrevistado ainda pelos jornalistas Beto Almeida e Elizabete Castro e pelo cientista política César Benjamin, defendeu a federalização da educação, a implantação do turno integral nas 180 mil escolas brasileiras e a contratação de 400 mil professores. ?Nos primeiros 100 dias ter um programa que vai mudar a educação desse país. Por exemplo, definir como que é vai dobrar os salários dos professores em quatro anos e federalizar a educação pública no Brasil?, afirmou.

Buarque argumenta que as diferenças regionais brasileiras impõem a federalização da educação. ?Os municípios do Paraná são muito mais ricos que os municípios de Pernambuco, do que no Norte. Como é que se pode condenar um menino de um município pobre a ter uma educação ruim. A educação tem que ser federal, como se fez nas universidades, definindo padrões míninos para as 180 mil escolas do Brasil. Por exemplo, tem uma coisa que simboliza o Brizola (Leonel, líder trabalhista Brasileiro), o horário integral em todas as escolas do Brasil, nas 180 mil escolas do Brasil. Mas sem mentira, não vai ser em dois, três, cinco anos, vai levar 10 anos para se fazer isso?, avaliou.

Mudanças graduais

O senador ainda defendeu uma mudança gradual na economia, nas taxas de juros e propôs a independência do Banco Central (BC). Para ele, os dirigentes do BC deveriam ser eleitos pelo Congresso Nacional e que seus mandatos não coincidissem com os dos presidentes da República. ?Todo esse equilíbrio (financeiro) que está aí é falso, ele é ilusório, é uma mágica, que se desfaz de uma maneira muito fácil, não é uma economia concreta. Lula consolidou ainda mais esse sistema financeiro, nós estamos hoje num país seqüestrado?, criticou.

?Tem que criar emprego, emprego você cria quando afirma que vai contratar 400 mil professores, que é que o Brasil precisa, e isso que tem prever na política orçamentária. O Banco Central atende hoje a elite brasileira, que tem uma concentração de renda absurda, temos que republicanizar o Banco Central e ter uma taxa de juros que controle a inflação e não inibe o crescimento?, finalizou.