A inflação no varejo medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – 10 (IPC-10) – um dos três indicadores que compõem o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) – em janeiro (0,81%) foi a mais intensa desde maio de 2005, quando o índice foi de 0,93%, além de ser a mais forte para um mês de janeiro desde janeiro de 2003 quando o indicador teve aumento de 1,84%. A informação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

De acordo com o economista, o cenário de preços altos junto ao consumidor teve como causa dois fatores principais: o impacto de reajustes em preços que normalmente aumentam nessa época do ano, como mensalidades escolares; e uma forte pressão de alta de preços originada pelos ganhos dos alimentos.

Sobre esse último fator, Quadros explica que somente agora a influência da disparada nos preços dos alimentos no atacado, em dezembro, está se fazendo sentir, de forma mais forte, no varejo. Por isso, houve aceleração expressiva de preços no grupo Alimentação (de 1,42% para 1,84%), na passagem de dezembro do ano passado para janeiro desse ano, no varejo.

Mas ele lembrou que, atualmente, os preços de importantes produtos agrícolas estão subindo menos ou até mesmo em queda, no atacado. Isso não vai demorar a chegar no varejo, na avaliação do economista. "Do ponto de vista de transmissão de preços do atacado para o varejo, pelo menos no curto prazo, o Índice de Preços por Atacado (IPA) não vai se tornar um fator agravante para a taxa do IPC, nos próximos resultados dos IGPs", disse.

Fevereiro

O IGP-10 pode continuar desacelerando em fevereiro, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Ele fez a observação ao comentar a taxa menor do IGP-10, que foi de 1,02% em janeiro ante aumento de 1 59% em dezembro. Na análise do economista, o movimento de elevações de preços menos intensas em alimentos importantes no atacado deve continuar – o que pode beneficiar o resultado do IGP-10 no mês que vem.

A avaliação de Quadros também engloba a atual movimentação de aumentos de preços menos intensas no setor de commodities agrícolas no atacado. Ele lembrou que as commodities no atacado pesam muito na formação da inflação do setor atacadista. Ou seja: com os preços de produtos de peso, como soja e milho, subindo menos, isso deve contribuir para manter o IGP-10 em um nível menor do que o apurado em meses anteriores, no curto prazo.