Rio – A safra brasileira encolheu tanto que, em vez da esperada colheita recorde, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) agora prevê que o resultado ficará 2,2% abaixo do volume alcançado no ano passado. De acordo com a quarta prospeção para 2004, referente a abril, a produção deve ficar em 120,9 milhões de toneladas de grãos. Em 2003, o País colheu 123,6 milhões de toneladas.

É a primeira vez desde 2002 que o IBGE faz uma previsão de queda da safra anual. A causa, segundo o IBGE, foi o clima desfavorável nas regiões Centro-Oeste e Sul. A nova previsão, divulgada ontem, também representa uma redução de 3,7% em relação à estimativa de março, quando o instituto esperava uma produção de 125,5 milhões de toneladas. O IBGE informou que a perda de 4,6 milhões de toneladas entre os dois levantamentos se deve, em sua maior parte, à quebra na safra de soja, o principal item da pauta agrícola brasileira. A cultura foi muito prejudicada por estiagens, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Em janeiro, quando foi realizada a primeira estimativa da produção da soja, a previsão era de uma produção de 59 milhões de toneladas, reduzidas agora para 50 milhões de toneladas. No Rio Grande do Sul, a queda com relação à pesquisa de março foi de 20,65%. No Mato Grosso do Sul, a queda foi de 14,86% e, em Santa Catarina, de 15,83%.

Além da produção de soja, que no total caiu 4,91% e puxou para baixo toda a expectativa de produção de grãos no País também teve destaque o algodão herbáceo em caroço, que teve aumento de 5,27%. Já as safrinhas de feijão e de milho tiveram queda, respectivamente, de 4,53% e 10,13%.

Especificamente sobre o milho, o IBGE informou que a redução observada em abril também decorre das estiagens que atingiram as lavouras entre janeiro e fevereiro. No Paraná, onde a produção deve atingir 4,1 milhões de toneladas, a estimativa caiu 5,98% com relação ao levantamento de março, com queda de 32,75% com relação a 2003.