As reduções das taxas de juros anunciadas pelos bancos nos últimos dois dias, em termos relativos, ficaram bem aquém da queda da Selic, que passou de 22% para 20% ao ano. Historicamente, os movimentos da Selic (juros básicos da economia) e as taxas finais cobradas pelas instituições financeiras da economia têm uma correlação bastante alta. Ou seja, quando a Selic sobe, os juros ao consumidor sobem. O mesmo vale para as reduções da taxa básica.

Uma pesquisa feita com base nos resultados encontrados concluiu que os cortes nos juros feitos nos últimos dois dias pelos bancos ficaram longe de refletir essa proporção. A queda da Selic foi de 9,09% ao ano. De acordo com a consultoria, os juros anuais do cheque especial para pessoa física, por exemplo, deveriam ter caído 7,05%, em média, para seguir a tendência histórica dos movimentos dessa taxa em relação à Selic.

No entanto, os cortes nos bancos foram bem inferiores a isso. Itaú e Bradesco, por exemplo, reduziram suas taxas de cheque especial em 2,54% e 2,57% ao ano, respectivamente. No Banco do Brasil, essa mesma taxa caiu entre 1,98% e 2,62%. No ABN Amro, a redução ficou em 2,65% e no HSBC variou de 1,16% a 2,61%.

A Caixa Econômica Federal (CEF) promoveu cortes nos juros do cheque especial entre 2,62% e 4,17%. E o Unibanco baixou sua taxa 4,29%. O mesmo vale para outras modalidades, como crédito pessoal e descontos de duplicatas para empresas.

No caso da modalidade de crédito pessoal, por exemplo, o levantamento feito pela ABM Consulting indica que as taxas poderiam ter caído 7,62% com a queda da Selic.

Mas as reduções promovidas pelas instituições financeiras variaram de 1,12% a 3,5%. A exceção, nesse caso, ficou por conta do Unibanco, que, em termos anuais, baixou em 7,56% a sua taxa.

“Esse levantamento mostra que as taxas ao tomador final não caíram o quanto poderiam ter caído levando-se em conta a experiência do passado”, afirma Alberto Borges Matias, sócio da ABM Consulting.

Roberto Troster, economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), argumenta que os juros futuros influenciam mais as taxas de crédito dos bancos do que a Selic. Mas as taxas de juros futuros também vêm caindo, acompanhando a expectativa de queda da Selic.

Troster, no entanto, tem outros argumentos: “O custo do empréstimo não depende apenas do custo do dinheiro para o banco, mas de fatores como inadimplência”.

Para Edson Machado Monteiro, vice-presidente de varejo e distribuição do Banco do Brasil, fatores como custos operacionais, tributação e risco de crédito influenciam as taxas finais de juros. Segundo ele, embora os custos operacionais venham caindo nos últimos cinco anos, tanto a tributação sobre os bancos como o risco de crédito são maiores hoje.

Já o diretor executivo de marketing do Unibanco, Rogério Braga, afirma que as altas taxas dos depósitos compulsórios – que os bancos precisam depositar no Banco Central – também devem ser levadas em conta.