O álcool combustível e a gasolina vão ficar mais caros para o consumidor. Os postos estão pagando cerca de 10% a mais pelo álcool e as distribuidoras já avisaram que nos próximos dias o preço do produto deverá aumentar em mais 10%. O preço da gasolina sofre um impacto grande do reajuste do álcool porque desde junho do ano passado, o combustível leva uma mistura de álcool na proporção de 25%. Em Curitiba, o litro do álcool em alguns postos já está mais caro desde a última sexta-feira, informou o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Paraná (Sindicombustíveis-PR), Marcelo Karam. “A alta já foi repassada para as bombas. Alguns postos já reajustaram seus preços, outros não”, afirmou. Segundo Karam, o preço do álcool combustível em Curitiba varia de R$ 0,79 a R$ 0,99. “Acredito que o preço deva ultrapassar a R$ 1,00”, comentou, alegando que a margem de lucro atual é de aproximadamente R$ 0,07, enquanto o necessário seria R$ 0,30 a R$ 0,35. Os aumentos de agora estão ocorrendo porque os usineiros decidiram elevar o preço do álcool, devido ao início da entressafra da cana-de-açúcar. Desta forma, pretendem recuperar o preço do álcool que, na avaliação dos produtores, estava baixo.

Com a alta do álcool, o litro da gasolina também começa a sofrer reajuste. De acordo com Karam, o aumento no preço da gasolina é da ordem de R$ 0,05 a R$ 0,06 o litro. “Os preços em Curitiba variam muito. É possível encontrar gasolina até por R$ 1,73, algo inviável economicamente”, comentou. Segundo ele, o litro da gasolina deve ficar acima de R$ 1,90 para poder se sustentar.

Parâmetros macroeconômicos

O governo já está ajustando os parâmetros macroeconômicos para acomodar, provável reajuste de 5% a 10% nos preços dos combustíveis até o fim do ano. O Ministério do Planejamento já trabalha com uma receita maior de R$ 458,7 milhões para os ?royalties? de petróleo, o que ocorreria pela recomposição dos preços na refinaria. A análise dos consultores do Congresso foi feita com base no relatório de receitas e despesas encaminhado no início da semana pelo governo à Comissão de Orçamento.

Em relação ao reajuste dos combustíveis, os consultores de mercado na área dos derivados de petróleo acreditam que ele só se dará em meados do mês que vem, mas devem entrar em vigor na primeira semana de julho. A economista Fabiana Fantini, da Consultoria Tendências, disse que está trabalhando com um reajuste de 10% da gasolina na refinaria, com impacto de 6,5% no preço ao consumidor. O aumento do gás de cozinha, segundo ela, deverá ficar em 3,5% e do óleo diesel em 5%. Na avaliação da consultora, o governo deverá mesmo deixar passar a volatilidade nos preços internacionais para depois ajustar os preços aqui dentro.

“O governo vem sendo muito pressionado pelos acionistas da Petrobras para aumentar os preços. Um reajuste de 10% não irá recompor a defasagem de 35% no preços internos em relação ao internacional. Mas dará uma sinalização de que o governo está atento”, disse a economista.

Segundo ela, a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional não está sendo amortecida, em parte, pela Petrobras devido ao reajuste que a empresa está promovendo em outros derivados. Ela informou que o preço do querosene de aviação, da nafta e do óleo combustível vêm sendo reajustados normalmente. Além disso, ela lembrou que a Petrobras é exportadora e não importadora de gasolina. “Afinal, se os preços estão mais altos lá fora, a Petrobras também está exportando gasolina mais cara”, avalia Fabiana Fantini.