A falta de unanimidade na última decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sobre a manutenção do juro mostra que a decisão foi difícil e que a autoridade monetária é transparente, segundo avaliação do presidente do BC, Henrique Meirelles. Na última reunião, o Copom decidiu pela manutenção do juro em 16% ao ano. Seis integrantes do comitê votaram por não mexer na taxa e três pela redução do juro em 0,25 ponto percentual.

“Isso mostra duas coisas. Em primeiro lugar, que já estamos em um movimento de sintonia fina, o que é ótimo. Em segundo, que há um processo de transparência dentro do Banco Central”, afirmou Meirelles, após participar de evento em São Paulo. Para o presidente do BC, as decisões tendem a ser unânimes quando a solução “é mais ou menos evidente”.

“Agora quando a política monetária está funcionando bem é normal que na margem as decisões sejam difíceis e portanto exista mais de uma opinião. Isso acontece no mercado ou dentro do Banco Central”, afirmou.

Para Meirelles, as divergências de opiniões não são ruins. “Eu vejo isso como uma boa notícia”, disse.

Ele preferiu, porém, não fazer comentários sobre o que levou o Copom a manter o juro e não sinalizar quais os fatores externos que mais causam preocupação ao Banco Central. “Nós temos uma norma de boa governança no Banco Central que diz que não devemos antecipar a ata do Copom”, afirmou.

A ata sobre a reunião que ocorreu na semana passada, dias 18 e 19, será divulgada nesta quinta-feira (27).