Os 2.500 trabalhadores da Volkswagen-Audi, em São José dos Pinhais, não chegaram a um acordo com a montadora e decidiram cruzar os braços. A greve, por tempo indeterminado, foi decidida em assembléia ontem de manhã. Os funcionários reivindicam redução na jornada de trabalho de 42 para 40 horas semanais, eliminação do banco de horas, aumento no valor da Participação de Lucros e Resultados (PLR) e pagamento igual de PLR aos afastados por acidentes e doenças profissionais. A estimativa é que, com as máquinas paradas, a montadora esteja deixando de produzir aproximadamente 450 veículos por dia.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, Cláudio Gramm, a empresa não apresentou nenhuma proposta até o final da tarde de ontem. “Não fizeram nenhum contato, nenhuma tentativa de acordo”, afirmou Gramm. A última greve na Audi-Volks aconteceu em 2000 e durou cerca de três dias. “Nossa idéia era fazer uma nova assembléia na porta da fábrica amanhã (hoje) pela manhã. Como a montadora não apresentou nenhuma proposta até agora, a paralisação deve ir para o segundo dia”, afirmou Gramm.

Os trabalhadores querem receber R$ 3.200,00 de PLR, e a direção oferece R$ 2.700,00, vinculados à manutenção do banco de horas nas empresas. Os trabalhadores querem acabar com o banco de horas e não aceitam a vinculação das duas discussões. Além disso, os sindicalistas querem a redução da jornada de trabalho, de 42 para 40 horas semanais, como ocorre em outras indústrias automobilísticas no Paraná. O salário inicial da categoria é de R$ 897,00.

Em São Bernardo do Campo os metalúrgicos da Volks também rejeitaram a proposta de PLR. “A empresa ofereceu R$ 3.590,00, sem metas de produção e qualidade e mesmo assim os trabalhadores não aceitaram”, explicou Jamil D?ávila, coordenador da Comissão de Fábrica e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. De acordo com o presidente do sindicato, Sérgio Butka, a categoria espera que a empresa apresente proposta que seja mais condizente com a atual situação da montadora. “No ano passado a produção da fábrica foi de 85 mil veículos, a previsão para 2004 é de 150 mil unidades”, afirmou Butka, ressaltando também que a luta não é somente por um valor maior, mas por melhores condições de trabalho dentro da fábrica. Com a paralisação, deixam de ser produzidos cerca de 450 veículos por dia entre Fox, Golf e Audi A3.

Audi-Volkswagen

A montadora informou ontem, em nota à imprensa, que “a proposta da empresa, de participação nos resultados no valor R$ 2.700,00 para 100% das metas, é 17% superior ao pago no ano passado e contém um ganho real de 7%”. A montadora solicitou ainda aos empregados “que reflitam sobre a proposta de participação nos resultados rejeitada em assembléia” e os convoca para retornar ao trabalho.