O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, nega que exista incompatibilidade nos objetivos do governo, de reduzir a inflação para a meta num horizonte relevante e de acelerar a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Ele ressalta que o Banco Central (BC) e a Fazenda se preocupam com a elevação dos preços.

“Trazer a inflação para a meta e viabilizar o aumento do crescimento nesse ano; esses dois objetivos não são contraditórios.” Segundo ele, como o Brasil avançou 0,9% em 2012 “é perfeitamente possível acelerar para 3,5% neste ano, sem criar pressões excessivas de demanda”, apontou.

Barbosa cita que, para a indústria, no curto prazo, a aceleração do crescimento gera um aumento do ritmo da produtividade. “Isso porque, no ano passado, com o mercado de trabalho apertado, várias empresas mantiveram sua força de trabalho mesmo num cenário de produção menor. Então, a produtividade caiu. Na medida em que a produção sobe, a produtividade tende a subir”, destacou.

Perguntado pela Agência Estado por que o BC teria elevado os juros básicos neste mês, Barbosa respondeu: “o aumento de juros tem de perguntar para o Banco Central”, disse. “Uma coisa é combater os efeitos secundários dos choques de oferta, mesmo que a elevação da inflação não esteja diretamente relacionada à demanda”, ponderou. “Às vezes é preciso subir os juros para combater os efeitos secundários, para que essa elevação temporária não se torne permanente e contamine as expectativas e levem à indexação”, emendou. “Então é nesse sentido que o Banco Central iniciou um ajuste da taxa de juros e o BC vai falar sobre isso quando necessário.”

O secretário executivo da Fazenda fez os comentários nesta segunda-feira, 29, depois de participar da solenidade de abertura de capital da BB Seguridade na BM&FBovespa.

Bancos públicos

Barbosa também avalia que, em meio à crise internacional, os bancos públicos, entre eles o Banco do Brasil, foram importantes para colaborar no incremento do nível de atividade do País. “Tivemos um período de muita flutuação no mundo, e os nossos bancos públicos tiveram uma atuação muito forte no Brasil. Tanto em prol do desenvolvimento como uma atuação forte de estratégia empresarial, que reflete uma nova realidade do Brasil. Em que o ganho será cada vez mais no volume das operações e não na margem das operações”, declarou.

“O resultado do Banco do Brasil no ano passado demonstrou o sucesso dessa estratégia e o sucesso dessa operação. Essa é uma nova realidade”, salientou, referindo-se à abertura de capital da BB Seguridade. “O sucesso dessa operação também reflete a confiança no mercado de seguros e no potencial do crescimento do Brasil.”

O secretário frisou que a utilização de seguros no País ainda é relativamente baixa. “A nossa grande força é expandir o nosso mercado interno e utilizar isso como uma fonte de competitividade que possa capacitar nossas empresas a operar bem no Brasil e no resto do mundo.”

Barbosa lembrou ainda que, nos últimos meses, o governo implementou várias medidas de estímulo ao desenvolvimento. “Adotamos uma série de desonerações tributárias, melhores condições de financiamento, para melhorar a produtividade”, ponderou, completando que, com isso, haverá aceleração na expansão da economia brasileira.