As micro e pequenas empresas da indústria ceramista estão atrás de qualificação no Paraná. O momento econômico positivo, vivido pela construção civil brasileira, está estimulando pequenos fornecedores de construtoras a repensar seus negócios e a investir em planejamento estratégico. Com a orientação técnica de parceiros como o Sebrae no Paraná, Sistema Fiep, governo, prefeituras e sindicatos, a indústria da cerâmica ensaia os primeiros passos rumo à estruturação e organização do setor no Estado.

"A invasão de empresas de Santa Catarina e São Paulo no fornecimento de produtos às construtoras no Paraná é reflexo da desarticulação do setor. As empresas da indústria ceramista não são competitivas, muitas são informais, agregam pouco valor a seus produtos, e enfrentam desafios que vão desde a busca e extração de matéria-prima até o uso adequado de políticas ambientalmente corretas", avalia o consultor do Sebrae no Paraná, na região de Curitiba, Edvaldo Pires Correa, responsável pelo programa de competitividade para a construção civil.

Donizeti Pereira da Motta, secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Olarias para Construção (Sindicer) do Paraná, concorda com o consultor do Sebrae e lembra que a indústria ceramista no Paraná é constituída, na sua maioria, por pequenas empresas familiares, que precisam de um impulso para se inserir na economia cada vez mais globalizada. "A tecnologia é fundamental nesse processo de fortalecimento: aumenta a capacidade produtiva, melhora a qualidade dos produtos e pode ser uma ferramenta na busca de fontes minerais alternativas", sugere Motta.

Primeiro passo         

A I Expocer Paraná – Exposição de Máquinas, Implementos, Insumos e Tecnologias da Indústria Cerâmica, que acontece de 27 a 29 de julho no Pavilhão de Eventos São Pedro, no bairro Umbará, em Curitiba, é a primeira ação de peso que confirma a preocupação do setor em profissionalizar-se. A idéia é reunir aproximadamente 60 empresas expositoras, do Paraná e de fora, oferecendo produtos, acessórios, serviços, insumos e tecnologias para toda a cadeia produtiva da indústria cerâmica. O evento, promovido pelo Sindicer, Sebrae e Fiep, será numa área de 5 mil metros quadrados.

Curitiba vai sediar o evento porque é uma região forte no fornecimento de produtos para toda a cadeia construtiva abrangendo construtoras e lojistas de materiais de construção. A organização do evento estima a presença de um público superior a 10 mil visitantes, entre ceramistas, prestadores de serviços, construtores, engenheiros, arquitetos, incorporadores, lojistas e revendedores de materiais de construção, que terão a oportunidade de ver expostos produtos equipamentos, maquinários e tecnologias para o setor.

O Pavilhão de Eventos São Pedro, onde será realizada a I Expocere, a partir desta sexta-feira, dia 27, fica na rua Nicola Pelanda, 5.000, junto à Igreja Matriz.

Raio-x do setor

De acordo com levantamento do Sindicer Paraná, existem hoje 613 pequenas empresas de cerâmica no Estado, 300 concentradas na Região Metropolitana de Curitiba, o principal pólo produtor. Existe matéria-prima disponível para extração em outras regiões do Paraná. No Oeste, Sebrae e parceiros também desenvolvem uma estratégia para agregar o setor. O trabalho começou em 2004, evoluiu e em 2006 foi criada uma cooperativa específica para o setor, a Cooceri – Cooperativa dos Ceramistas do Iguassu, atualmente com 21 participantes, conta o consultor do Sebrae na região de Cascavel, Orestes Hotz.

Unidos e capacitados, produtores de telhas, tijolos e outros produtos para a construção civil já idealizaram uma central de massas, adequada às exigências ambientais, melhoraram o processo de lava da argila e implantaram um selo de qualidade da cerâmica vermelha. "O grupo tem acesso a programas de qualidade, treinamentos, missões técnicas, além de temas relevantes como tecnologia, mercado, marca própria, tudo dentro de um planejamento empresarial", diz Hotz.

Na região Norte, o Sebrae articula em Ortigueira, com empresários da indústria ceramista, uma parceria para fortalecer o setor. Na semana passada, foi apresentada uma proposta de trabalho ao setor. "Existem empresas, muitas bem organizadas, outras que precisam investir em planejamento, qualidade, sistema de custos. Vamos iniciar um trabalho nesse sentido", avalia Ricardo Magno Silva, consultor do Sebrae na região de Londrina.