Cerca de 3 mil novos hectares de pomares de laranja foram plantados este ano por produtores vinculados à Paraná Citrus, superando em 20% a expectativa feita no começo de 2002 de atingir 2,5 mil hectares. Das 820 mil mudas disponibilizadas inicialmente, restam apenas 40 mil para ser contratadas pelos produtores.

Somando os 4 mil hectares de pomares que já existiram, a empresa, que pertence à Cocamar e atua na fabricação de suco concentrado e congelado de laranja, passa a contar com 7 mil hectares. Quando em plena produção, essa área produzirá 5,5 milhões de caixas de 40,8 quilos, atingindo a capacidade plena da indústria. Isso deve ocorrer a partir de 2005, quando os novos pomares estarão produzindo comercialmente. Neste ano, a indústria realizou o esmagamento de 3,3 milhões de caixas.

A Paraná Citrus, contudo, não pretende parar por aí. A partir de janeiro de 2003, a empresa pretende dar início a uma nova etapa do projeto de expansão de pomares, com o objetivo de chegar em 2010 a uma produção de 10 milhões de caixas, o que vai requerer também investimentos na ampliação da capacidade industrial. Para isso serão disponibilizadas entre 300 mil a 500 mil mudas de laranja por ano aos produtores, nos próximos quatro anos.

“A expansão do plantio se deve à credibilidade que a Cocamar e a nova administração da Paraná Citrus transmitem aos cooperados e parceiros da indústria, além da garantia do preço mínimo de US$ 1,36 a caixa nos contratos de compra e venda futura feitos pela indústria. Como o valor cobre os custos de produção, no mínimo o produtor empataria”, afirma Antonio Ailton Basso, o Tuna, diretor superintendente da Paraná Citrus.

Tuna ressalta ainda que com a retomada dos trabalhos do packing house, os produtores têm comercializado 10% da produção da fruta in natura, garantindo com isso uma melhor remuneração, que é paga em no máximo 40 dias.

Para os produtores interessados em iniciar ou ampliar o plantio, há linhas de crédito disponíveis e a Paraná Citrus oferece ainda a opção de fazer o plano de troca de mudas pela produção. Através desse sistema, o produtor pagará com a própria produção em quilos de laranja, com seis anos de prazo e três de carência, acompanhando o preço de fixação da laranja no ano.

Remuneração

Um dos produtores que estão investindo no plantio de laranja é Élson Luiz Nogara, que possui propriedades em Paranavaí e Guairaçá. Ao todo são 240 hectares onde cultiva mandioca e café e trabalha com pecuária de corte.

Com o objetivo de diversificar as atividades, Élson reservou 34 hectares para o plantio de laranja este ano. “É uma lavoura que tem garantia de remuneração. Mesmo que haja queda no preço, a Paraná Citrus garante o mínimo de US$ 1,36 a caixa, valor que cobre os custos de produção. Na pior das hipóteses, não tenho prejuízo”, afirma Élson que assinou contrato de venda futura com a empresa por cinco safras.

A proximidade de sua área com a indústria, de cerca de quatro quilômetros, também incentivou Élson a investir na citricultura. E a idéia não é parar por aqui. Nos próximos dois anos, ele planeja ampliar a área de laranja, ocupando toda a propriedade de Paranavaí, de cerca de 120 hectares.

Os 56 hectares plantados com laranja há anos pelos irmãos Yoshiharu e Yoshishiru Kanabushi, em Alto Paraná, já estão em plena produção. Nesta safra devem ser colhidas 85 mil caixas nos 20 mil pés existentes, o que dá uma média de 4,2 caixas por pé.

Os bons resultados no campo e as perspectivas de mercado incentivaram os Kanabushi a ampliar a área atual. Foram plantadas mais 12.780 mudas em 36,5 hectares, um aumento de 64% do pomar.

Para o ano que vem o projeto é plantar mais 25 hectares com laranja, otimizando o uso da infra-estrutura. “É uma cultura que nos dá segurança. Além do preço mínimo de garantia, as perspectivas de boa rentabilidade mostram que laranja é um bom negócio”, afirma Yoshiharu, que fechou contrato por cinco safras com a Paraná Citrus.