A presidente Dilma Rousseff está “muito preocupada” e ficou bastante irritada ao constatar que nenhuma providência efetiva foi tomada em relação à construção do estádio que deverá sediar, em São Paulo, a abertura da Copa do Mundo de 2014. Dilma ficou inconformada porque, diferentemente do que haviam lhe prometido o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin, as obras não começariam mais em abril. Dilma também ficou bastante contrariada com a constatação de que nada do que ela pediu que fosse providenciado e apressado em relação aos aeroportos foi executado.

Nesta segunda-feira (25), a presidente participou de duas reuniões no Planalto para tratar destes temas. Em relação aos aeroportos, Dilma convocou uma nova reunião para sexta-feira. Mas, desde já, anunciou que quer a antecipação de todas as obras de ampliação e remodelação deles para 2013 e não mais 2014, como estava previsto. Em relação à Copa, a presidente quer se reunir com prefeitos e governadores das cidades que serão sedes no fim de maio.

Foi tensa e longa a reunião realizada na tarde e na noite de ontem para fazer um balanço da situação dos aeroportos. Dilma exigiu detalhamento da situação de cada aeroporto, mas acabou se concentrando mais na discussão de Brasília, Guarulhos e Campinas, tentando saber como apressar a ampliação deles. Ouviu que os atrasos se deviam desde a problemas com licenciamento ambiental, passando por falta de empresas que queiram participar de licitações para as obras, já que as grandes construtoras estão interessadas nas obras decorrentes de privatização dos aeroportos, além da total mudança de projeto de Brasília, que teve a sua primeira fase construída no ultrapassado modelo de satélite. No encontro de sexta-feira, serão detalhados os demais aeroportos.

Um dos estudos que chegou às mãos da presidente Dilma aponta que, mesmo com a realização de obras previstas pela Infraero, aeroportos como os de Brasília, Confins (Belo Horizonte) e Curitiba estarão saturados em 2014. Já os terminais de Fortaleza, Salvador e Guarulhos, mesmo com a realização de obras, estarão no limite de sua capacidade de operação quando chegar o momento de realização da Copa. Mas a presidente sabe que correrá o risco de chegar lá com eles também já saturados se novas providências não forem tomadas, porque a demanda nos aeroportos têm crescido. Apenas em março o crescimento do transporte aéreo doméstico foi da ordem de 25,48%, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Portanto, não só por causa da Copa e da Olimpíada, mas também para atender à crescente movimentação de passageiros no País, a presidente quer apressar as obras dos aeroportos. Tem lhe desagradado bastante assistir todos os dias na TV e ler nos jornais reportagens retratando o dia a dia caótico em vários aeroportos, com problemas de infraestrutura em diferentes áreas.

Estádios

Na primeira reunião com a presidente Dilma, que tratou de aeroportos, estavam presentes representantes dos ministérios ligados à área de infraestrutura, o novo ministro-chefe da secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, além de Luciano Coutinho, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre outros. Na segunda reunião, que tratou mais especificamente da questão dos estádios, estavam presentes os ministros dos Esportes, Orlando Silva, do Turismo, Pedro Novais, e das Cidades, Mário Negromonte. O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, estava nas duas.

Dilma considerou satisfatórias as informações recebidas em relação ao cronograma dos demais estádios do País. Reclamou muito, no entanto, de São Paulo. O atraso da construção do estádio na cidade que deverá sediar a abertura da Copa se deve ao fato de que o Corinthians, que conduz o projeto, pretendia construir um estádio com uma capacidade inferior à exigida pela Fifa para abertura do mundial (65 mil lugares), sob a alegação de que não teria os recursos necessários para uma obra maior. O Corinthians passou várias semanas negociando para conseguir a verba, o que atrasou o início das obras.