Ainda que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha reduzido a taxa básica (Selic) de 12% para 11,5% ao ano na sua última reunião, no dia 18, o consumidor não deve descuidar-se. Miguel Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), explica que o corte de 0,50 ponto porcentual terá efeito muito pequeno nas taxas do crédito, porque a distância entre a Selic e os juros cobrados do consumidor é muito grande.

Como exemplo, ele explica que a taxa média de juros para pessoa física estava em 133,44% ao ano quando a Selic era de 12%. Com o corte da Selic para 11,5%, essa média pouco mudou: é de 132,39%. No cheque especial, em que o corte da Selic reduziu a taxa média de 7,77% ao mês para 7,73%, a diferença no uso de R$ 1 mil do limite por 20 dias é de apenas R$ 0,27 – o valor do juro cai de R$ 51,80 para R$ 51,53.

Mas Oliveira reconhece que a queda da Selic tem efeitos indiretos em favor do consumidor. ?Na medida em que o Banco Central corta a Selic, diminui a rentabilidade dos bancos nas aplicações em títulos públicos, e isso os empurra para operações de crédito, a fim de aumentar a rentabilidade.? Esse movimento aumenta a oferta de crédito e também pressiona os juros para baixo. Ele avalia que o estoque de crédito no fim de 2007 crescerá 25% ante o fim de 2006, de R$ 786,1 bilhões (32% do PIB) para R$ 916 bilhões (38% do PIB).

A pesquisa da Anefac mostra também que o prazo médio dos financiamentos se está ampliando. Em junho de 2006, para veículos era de 28 meses; em junho de 2007, passou a 34 meses. Nos outros financiamentos, a ampliação foi menor: de 16 meses para 18 meses, na mesma comparação de período.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo