Rio – O consumo de cimento no Brasil registrou queda de 10,04% no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período do ano passado. A maior retração foi na região Nordeste, com queda de 15,34%, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). “Isso está ligado diretamente à queda do poder aquisitivo da população”, comenta o secretário-executivo do sindicato, José Otávio Carvalho.

Segundo ele, o consumo de cimento é muito aderente à situação da economia como um todo e a retração nas vendas reflete o marasmo observado no País na primeira metade do ano. A queda atingiu inclusive o chamado autoconsumo, que representa cerca de 40% do total das vendas. Carvalho não está otimista em relação a uma recuperação a curto prazo. “Não há nenhum fato novo que indique alguma retomada”, disse Carvalho.

Outro sinal preocupante, na avaliação do executivo, se refere ao consumo de vergalhões utilizados na indústria de construção. Em junho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), o setor registrou queda de 27% em relação a junho de 2002.

“Houve uma parada súbita no setor de vergalhões, que até março ainda não apresentava queda expressiva. Isso indica que a situação deve ter piorado”, disse Carvalho. Segundo ele, o setor está trabalhando com cerca de um terço de capacidade ociosa, pois pode produzir até 60 milhões de toneladas de cimento por ano e a produção deste ano deve ficar em 35 milhões de toneladas.

O secretário-executivo do Sindicato do Cimento defende que o governo desenvolva política específica para o setor de infra-estrutura e habitação. A vantagem é que cria emprego “de imediato” e não pressiona o balanço de pagamentos, já que a produção é quase toda no mercado interno. “Sem investimento público, o setor não se desenvolve”, defende Carvalho. No caso de habitação, por exemplo, o sindicato estima um déficit de 6,6 milhões de moradias no País, especialmente nos segmentos de baixa renda. Carvalho considera necessário algum tipo de subsídio para esse tipo de construção.