O chanceler Celso Amorim garantiu que a indústria brasileira tem como competir em um cenário de maior abertura comercial. Mas insistiu, em uma reunião na última quarta-feira (31) com o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que o Brasil não aceitará um acordo comercial que não leve em conta os interesses do Mercosul de manter certos setores industriais protegidos por alguns anos ainda.

Em Genebra, o ministro das Relações Exteriores ouviu de Lamy que as flexibilidades que o País exigia da OMC poderiam causar um problema sistêmico. A relação entre o Mercosul e a entidade máxima do comércio estão gerando uma polêmica entre os negociadores, que tentam até o final do ano fechar algum tipo de acordo comercial. "Queremos um acordo e sabemos que isso será muito importante para o Brasil. Mas não vamos aceitar um acordo em que todas as sensibilidades dos governos são atendidas, salvo as nossas", afirmou o ministro, ao deixar o encontro.

Pela proposta do Mercosul, o bloco poderia incluir um número maior de setores que se beneficiarão de proteções na redução de tarifas na OMC por ser uma união aduaneira. O temor da OMC é de que isso acaba abrindo um precedente perigoso ao sobrepor regras de blocos regionais em um patamar superior às leis da OMC. Amorim garantiu que não é isso que pretende fazer.

"Não vamos criar novas muralhas ou proteções adicionais. O impacto das flexibilidades que estamos pedindo é bem menor que o que pedem outros países", disse. Para governos que são contrários à proposta do Mercosul, o Brasil estaria usando o bloco como justificativa para manter certos setores isentos de uma liberalização. "Isso não é verdade. Nossa indústria sabe competir e tem todas as condições para isso", afirmou o chanceler.